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    Nem ajuste fiscal “sonhado” pela Fazenda estabilizaria dívida brasileira, diz diretor do Goldman Sachs

    Fazenda prevê zerar o déficit primário em 2024, atingir um superávit de 0,5% do PIB em 2025, e de 1% em 2026

    "Quanto mais acordos de livre comércio o Brasil, individualmente ou dentro do Mercosul, vier a celebrar, melhor", diz diretor do banco
    "Quanto mais acordos de livre comércio o Brasil, individualmente ou dentro do Mercosul, vier a celebrar, melhor", diz diretor do banco 11/11/2021. REUTERS/Andrew Kelly

    Danilo Moliternoda CNN São Paulo

    Diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos afirmou em entrevista à CNN que nem mesmo a trajetória de déficit primário projetada pelo Ministério da Fazenda é suficiente para estabilizar a dívida pública do Brasil.

    A Fazenda prevê zerar o déficit primário em 2024, atingir um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, e de 1% do PIB em 2026.

    Mesmo que execute as metas, a relação dívida/PIB, atualmente em 75%, continuará se elevada.

    “Seria importante elevar o primário para 2% ou 2,5% do PIB. Estabilizar a dívida num patamar elevado deixa o Brasil vulnerável a choques macroeconômicos. Seria ideal ter um primário robusto para pôr a dívida em trajetória descendente”, aponta.

    A resultado primário não considera os juros que incidem sobre a dívida brasileira. Por isso, a cifra positiva entre as receitas e despesas primárias não é suficiente para que haja dinheiro para diminuir o estoque de dívida.

    Ramos destaca ainda que o primário “sonhado” pela Fazenda não deve ser, segundo projeções do mercado, o resultado executado. Agentes do mercado preveem déficits até o último exercício do terceiro governo de Lula.

    Grau de investimento e crescimento econômico

    O controle das contas públicas e as perspectivas de crescimento econômico são os principais fatores que podem aproximar o Brasil do chamado “grau de investimento”.

    Neste ano, agências de classificação de risco melhoraram o rating do Brasil, mas, para Ramos, o país continua distante deste objetivo.

    Na visão do diretor, o PIB potencial do Brasil (capacidade de crescer sem pressionar inflação) ainda é baixo. Ele destaca que a dinâmica de crescimento tímida não é exclusividade deste governo ou do passado, mas uma realidade das últimas duas décadas.

    “Todas as reformas que avancem na direção de dar maior abertura comercial, reduzir a carga tributária, dar maior eficiência do gasto, como uma reforma administrativa, aumentar o investimento público reduzindo o gasto corrente, seriam positivas para impulsionar o crescimento”, analisa.

    No campo da abertura comercial, Ramos indica que a possibilidade de o acordo Mercosul-União Europeia seria uma notícia animadora para fechar 2023.

    “Quanto mais acordos de livre comércio o Brasil, individualmente ou dentro do Mercosul, vier a celebrar, melhor”, disse.

    Milei e Argentina

    O diretor comentou também sua visão sobre a eleição de Javier Milei na Argentina. Ele destacou o cenário de incertezas e desequilíbrio macroeconômico que vive o vizinho.

    Para Ramos, atualmente a Argentina não contribui como poderia para a dinâmica econômica da América Latina. Ele indica ainda que Milei tem “um diagnóstico correto” da conjuntura do país.

    “Ele tem um diagnóstico correto sobre o que tem deixado a Argentina para trás: um déficit fiscal muito elevado, um cambio desvalorizado e descontrolado. Agora, é mais fácil dizer do que fazer. Este ajuste vai ser complicado, potencialmente doloroso politicamente e socialmente”, completou.

    Veja também: Lula planeja programa de oferta de crédito para baixa renda em 2024