Ninguém quer baixar os juros para ter uma inflação lá em cima, diz Galípolo
Presidente do BC participou na manhã desta quarta-feira (9) da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados

Para o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, é necessária uma série de medidas para colocar a inflação dentro da meta e manter a taxa de juros em um patamar semelhante ao observado em outros países que têm um cenário econômico semelhante ao Brasil.
“Ninguém quer baixar os juros para ter uma inflação lá em cima. Você quer conviver com uma taxa de juros que possa produzir o mesmo efeito, do ponto de vista de conter a inflação, porém em um patamar que seja mais próximo dos nossos pares. Para a gente conseguir isso, precisa de uma série de medidas. Não tem uma bala de prata”, disse.
O presidente do BC falou na manhã desta quarta-feira (9) na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. O convite atende ao pedido dos deputados Florentino Neto (PT-PI), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Pauderney Avelino (União-AM).
Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, em junho, o colegiado elevou a taxa Selic para 15% ao ano. Este é o patamar mais elevado para os juros básicos do país desde maio de 2006, quando a taxa estava em 15,25%.
Se os parâmetros observados pelo BC se confirmarem, o Copom antevê o fim do ciclo de alta dos juros na próxima reunião, entre 29 e 30 de julho, com objetivo de analisar os impactos e avaliar se o nível corrente da taxa de juros é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.
O BC utiliza a taxa básica de juros como um motor para aquecer ou esfriar a economia e manter a inflação em um patamar sustentável para as pessoas físicas e investidores no Brasil.
A meta de inflação definida pelo CMN (Comitê Monetário Nacional) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Se a meta for descumprida, Galípolo tem que enviar uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para justificar.


