Núcleos de inflação estão comportados, mas energia e alimentos estão afetados por seca, diz Haddad

Os comentários do ministro foram feitos antes da divulgação oficial dos dados de IPCA medidos pelo do IBGE

Cristiane Noberto, da CNN, Brasília
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (9), que os núcleos de inflação estão “bem comportados”, mas que a seca “está afetando” preços importantes, como energia e alimentos.

No entanto, para ele, o Banco Central deve analisar esses números “com cautela” para tomar a melhor decisão sobre subir ou descer os juros, já que a situação “não é permanente”.

“Você vê o dado de hoje do IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo], ele demonstra claramente que os núcleos estão bem comportados. Mas a seca está afetando dois preços importantes que é energia e alimentos, isso não tem a ver com juro, juro não faz chover. Tem a ver com um choque de oferta em virtude da seca que traz choque para a inflação”, afirmou.

“Mas isso é temporário, não é algo que vai se estender no tempo. Daqui a pouco a chuva chega e as coisas voltam ao normal, os preços voltam ao normal. Mas isso tem que ser analisado com a devida cautela, para não tomar uma decisão com base numa questão climática, que não é permanente”, continuou.

Os comentários de Haddad foram feitos antes da divulgação oficial dos dados de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ocorreu às 9h desta quarta-feira.

Segundo o instituto, o IPCA acelerou 0,44% em setembro. No mês anterior, o índice havia apresentado deflação de 0,02%. No ano, a inflação acumulada é de 3,31% e, nos últimos 12 meses, de 4,42%.

De acordo com o IBGE, os maiores impactos foram as altas no grupo Habitação (1,80%), após aumento nos preços da energia elétrica residencial, que passou de -2,77% em agosto para 5,36% em setembro, e no grupo Alimentação e bebidas (0,50%), que subiu após dois meses consecutivos de quedas.

Juro está alto

Haddad reconheceu que o juro no país – atualmente em 10,75% – está alto, num “campo restritivo”. Mesmo assim, defendeu que é uma “discussão técnica” que será feita pelos novos diretores e que ficará para o próximo ano.

“Ele já está alto [o juro]. O juro já está no campo restritivo, como a gente costuma dizer, mas isso é uma discussão técnica que os novos diretores farão, agora vamos ter a partir de janeiro novos três nomes, vamos ver como as coisas vão se dar, mas até aqui a economia está rodando bem, está forte, os preços estão controlados, a gente está com essa questão da seca”, disse.

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