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    O Nó dos Juros: O BC rege a economia com os juros para manter a inflação na meta

    Ao decidir esse número, o Banco Central influencia boa parte de todas as transações com dinheiro na economia

    Fernando Nakagawada CNN São Paulo

    O gerente do seu banco trabalha para proteger o teu dinheiro. Em Brasília, o Banco Central (BC) é um banco um pouco diferente porque não lida necessariamente com depósitos e saques.

    A principal função é proteger o valor da moeda, o real. Para isso, é preciso combater o grade inimigo do dinheiro: a inflação.

    Como o BC pode agir contra a alta dos preços se eles são decididos na própria economia? Já que quem decide aumentar valores muitas vezes são indivíduos ou empresas, como um fazendeiro, uma indústria ou mesmo o dono do supermercado do bairro.

    Para isso, entra o principal instrumento da política monetária: o juro básico da economia, que no Brasil é a taxa Selic.

    Ao decidir esse número, o BC influencia boa parte de todas as transações com dinheiro na economia, especialmente — mas não apenas — aquelas que têm juros, como empréstimos e investimentos.

    A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir o novo patamar da Selic. E o processo é similar ao de um maestro que rege uma orquestra.

    A partitura desse maestro econômico é a meta de inflação. Esse é o grande norte da autoridade monetária.

    A meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e atualmente está fixada em 3% no acumulado de 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

    A meta determina o ritmo que a música chamada inflação pode tocar.

    Antes de definir a Selic, o BC faz um minucioso exame da sinfonia econômica. São coletados dados de diversos setores da economia, como indústria, serviços, mercado de trabalho e especialmente o comportamento dos preços, além do cenário externo.

    Assim, os diretores do BC conseguem compor um panorama abrangente do ritmo da economia do país.

    Juros altos, como um tom mais baixo, desaceleram a atividade econômica, enquanto taxas baixas, impulsionam. Essa modulação tem como objetivo influenciar o ritmo da atividade econômica e dos preços.

    A conexão é simples: se a economia acelera e cresce, há mais espaço para aumento de preços. Já se a economia reduz o passo e encolhe, os preços tendem a aumentar menos.

    As reuniões do Copom são cercadas de sigilo. Bloqueadores de celular e comunicação restrita a recados escritos garantem que os membros do Comitê baseiem suas decisões apenas nas informações disponíveis e no debate técnico aprofundado. E, principalmente, não vazem nada para fora daquela sala no 20º andar do edifício-sede em Brasília.

    Apesar do sigilo durante as reuniões, as decisões do Copom são amplamente anunciadas. A cada atualização da Selic, o BC emite um comunicado detalhando os fatores considerados e as perspectivas para a economia, buscando esclarecer os rumos da política monetária.