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Opinião por corte de juros é avalizada por bancos, diz Haddad

Ministro da Fazenda afirma que atual patamar da Selic é elevado e que há espaço para redução, com respaldo do setor financeiro

Poliana Santos, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (10) que discorda do atual patamar da taxa básica de juros e avalia que há espaço para cortes, posição que, segundo ele, é compartilhada por bancos.

“Todo mundo conhece minha opinião, que também é avalizada pelos bancos que se reuniram comigo hoje pela manhã: efetivamente, a taxa de juros tem espaço para corte. Não é pessoal, é uma questão institucional”, disse Haddad em entrevista ao programa Bastidores, da CNN Brasil.

O ministro destacou que a situação fiscal do país já esteve muito mais delicada em períodos recentes.

“No governo Temer e Bolsonaro, estávamos com déficit na casa de 2% do PIB. Hoje estamos falando de equilíbrio e, eventualmente, de superávit no ano que vem”, afirmou.

Apesar da discordância com a decisão do Banco Central, Haddad reconheceu que a definição da Selic cabe ao colegiado da autarquia, composto por nove diretores e o presidente.

“Eu manifesto minha opinião, o mercado financeiro, o setor produtivo e também a classe política manifesta opinião, mas quem decide o patamar da Selic é o Banco Central. Uma parte desses players concorda que já chegou a hora do ciclo de corte.”

Na avaliação do ministro, o contexto econômico do Brasil tende a melhorar, atraindo novos investimentos à medida que o país “ajusta as contas, combate o gasto tributário e reduz desperdícios”.

“Nós vamos criar um ambiente econômico muito favorável ao investimento. Acredito que isso vai acontecer, já está acontecendo e temos muito a colher em um futuro próximo”, disse.

Haddad mencionou ainda medidas em curso para melhorar o equilíbrio das contas públicas, como a liquidação do fundo de variação de compensação salarial, a integração total do Fundeb e a normalização da curva do BPC (Benefício de Prestação Continuada), que passou a custar cerca de R$ 40 bilhões por ano após mudanças legais em 2021.

Segundo ele, o governo também busca novas fontes de financiamento para garantir a continuidade de programas sociais.

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