Orbán se encontra com Putin para discutir fornecimento de energia

Recentes esforços liderados pelos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia também foram abordados durante encontro em Moscou

Christian Edwards, da CNN
Putin e Orbán apertando as mãos durante encontro entre as delegações.
Putin e Orbán apertando as mãos durante encontro entre as delegações.  • RUSSIAN POOL / REUTERS
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O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, se encontrou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, nesta sexta-feira (28), para reforçar o fornecimento de energia da Hungria e discutir os esforços para colocar fim à guerra na Ucrânia.

Tendo rejeitado oportunidades para reduzir a dependência de combustíveis fósseis russos, a Hungria estava enfrentando um violento choque econômico depois que o governo de Donald Trump impôs, no mês passado, sanções aos dois maiores produtores de petróleo da Rússia. Antes do anúncio, Orbán havia alertado que, sem as importações de energia da Rússia, a economia húngara seria levada "à ruína".

Orbán, um populista de extrema-direita e figura estimada pelo movimento MAGA (Make America Great Agaian), foi poupado desse choque depois que o presidente dos EUA concedeu à Hungria uma isenção de um ano das sanções, alegando que tem sido "difícil" para o aliado livrar o país da dependência do petróleo russo, já que a Hungria não tem saída para o mar.

“Recentemente, viajamos a Washington para garantir a isenção da Hungria das sanções americanas à energia russa: conseguimos. Agora, devemos dar o próximo passo, garantindo que as entregas à Hungria continuem sem interrupção”, escreveu Orbán nas redes sociais nesta sexta (28).

“É por isso que estou indo à Rússia hoje: para garantir que o fornecimento de energia da Hungria permaneça seguro e acessível neste inverno e no próximo ano”, acrescentou.

Embora Trump, ao explicar o motivo de estar considerando conceder uma isenção à Hungria, tenha dito que tem sido “muito difícil (para Orbán) obter petróleo e gás de outras áreas”, já que “o país não tem portos”, analistas contestaram esse argumento.

Após a invasão total da Ucrânia por Moscou em fevereiro de 2022, os países da União Europeia tomaram medidas para reduzir drasticamente as importações de energia russa, em uma tentativa de esvaziar os cofres de guerra do Kremlin. No entanto, a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca – três nações da Europa Central – receberam uma isenção da proibição de importação de petróleo bruto russo.

Enquanto a República Tcheca já eliminou  a dependência gradualmente, a Hungria e a Eslováquia aproveitaram a isenção para aprofundar. O petróleo bruto russo representou 86% de todas as compras húngaras de petróleo bruto em 2024, um aumento em relação aos 61% anteriores à invasão. Até o momento, neste ano, 92% das importações de petróleo bruto da Hungria vieram da Rússia.

A Eslováquia, por sua vez, é “quase 100% dependente” do fornecimento de Moscou, de acordo com um relatório de maio do Center for the Study of Democracy and the Centre for Research on Energy and Clean Air.

Durante a reunião desta sexta-feira (28) em Moscou, Orbán e Putin também discutiram os recentes esforços liderados pelos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia. Putin não descartou a possibilidade de uma cúpula em Budapeste com Trump, segundo mídia estatal russa.

Putin e Trump haviam concordado em outubro em se encontrar na capital húngara para discutir o fim do conflito, mas os planos foram arquivados, com Trump afirmando que não queria que as conversas fossem uma perda de tempo. O republicano disse que conversará com o presidente da Rússia e o da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, somente quando o conflito no leste europeu estiver perto do fim.

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