Petroquímicos são principal desafio para acordo Mercosul-Emirados Árabes

Cerca de 20 produtos do setor são tidos como maior empecilho à conclusão das negociações para um tratado de livre comércio

Daniel Rittner, Gabriel Garcia, da CNN, em Brasília
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Uma lista com aproximadamente 20 produtos petroquímicos é o principal obstáculo para a conclusão de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Emirados Árabes.

As negociações começaram em 2024 e avançaram rapidamente entre os dois lados. Segundo relatos feitos à CNN por autoridades diretamente envolvidas nas tratativas, há uma possibilidade real de fechamento do acordo ainda neste ano, pois as divergências afunilaram em poucas questões.

A principal delas, segundo as fontes, é o pleito dos Emirados Árabes de zerar as tarifas de importação do Mercosul para cerca de duas dezenas de petroquímicos.

É um segmento no qual os árabes -- grandes produtores de petróleo -- são altamente competitivos e a indústria brasileira tem especial sensibilidade para se proteger da competição externa.

O Mercosul tem dito aos Emirados Árabes que, diante da tentativa do país de diversificar sua economia, é significativo o ganho de consolidar o acesso ao mercado sul-americano com tarifa zero para dezenas de setores inteiros.

A argumentação é de que isso pode não ser relevante hoje, mas os Emirados Árabes pretendem ter uma indústria mais dinâmica no futuro e faria diferença mais adiante.

Os principais produtos de exportação do Brasil para os Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. Na direção contrária, as maiores importações são de petróleo, ureia, enxofre e peças para aeronaves.

Em abril, à margem da reunião de chanceleres do Brics, a ministra de Cooperação Internacional dos Emirados Árabes, Reem Al-Hashimy, manifestou otimismo com a possibilidade de um acordo de livre comércio com o Mercosul ainda em 2025.

Além do comércio crescente, um dos pontos altos da relação bilateral são os investimentos dos Emirados Árabes no Brasil. Empresas e fundos como Mubadala, Abu Dhabi Investiment Group (ADIG), Edge Group e DP World têm aumentado rapidamente sua presença no país.

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