Desemprego sobe para 6,1% no trimestre encerrado em março, diz IBGE
Nível é o maior desde maio de 2025
A taxa de desemprego subiu para 6,1% no trimestre móvel encerrado em março, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (30).
O índice evidencia o maior nível desde maio de 2025, ainda marcando a menor leitura da série para um trimestre encerrado em março, em meio a um esfriamento gradual do mercado de trabalho.
Essa é a taxa mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025, quando o desemprego foi de 6,2%, última vez que o indicador havia ficado na casa dos 6%. No primeiro trimestre de 2025 a taxa de desemprego foi de 7,0%.
O resultado do primeiro trimestre deste ano ficou em linha com a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters.
A renda média real dos trabalhadores chegou a novo valor recorde no período, R$3.722, aumento de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já descontada a inflação nos dois períodos.
Analistas preveem que a taxa de desemprego deve registrar alta gradual ao longo deste ano depois de ter alcançado os menores valores da história, acompanhando o enfraquecimento esperado da economia, porém com o mercado de trabalho ainda resiliente.
Essa resiliência ajuda a sustentar a demanda das famílias e a renda, ponto de atenção do Banco Central, que na véspera voltou a cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%.
No primeiro trimestre, o número de desempregados saltou 19,6% ante os três meses anteriores, a 6,579 milhões, o que representou uma queda de 13,0% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Já o total de ocupados caiu 1,0% na comparação trimestral e aumentou 1,5% sobre o primeiro trimestre do ano passado, chegando a 101,976 milhões.
“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento -- seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano, seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários nas atividades de educação e saúde no setor público municipal”, disse a coordenadora do IBGE, Adriana Beringuy.
Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado registraram recuo de 0,6% nos três meses até março sobre o quarto trimestre, enquanto os que não tinham carteira diminuíram 2,1%.
*Com informações de Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier, da Reuters


