Petróleo fecha em alta de 1% após saltar para maior valor em uma semana
Disparada do combustível afeta economia global e provoca mudança de rota na política monetária

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira (19), com o Brent, referência do mercado, atingindo seu maior nível em mais de uma semana, disparando até US$ 119 por barril, depois que o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel ao seu campo de gás de South Pars.
Os contratos futuros do Brent fecharam em alta de 1,18%, a US$ 108,65 por barril, depois de chegar ao valor mais alto desde 9 de março, atingindo a máxima da sessão de US$ 119,10.
O petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) dos EUA encerrou o dia com alta de 0,19%, para US$ 96,14 por barril, depois de ter avançado para US$ 100,44.
O WTI tem sido negociado com seu maior desconto em relação ao Brent em 11 anos, devido à liberação das reservas estratégicas dos EUA e aos custos mais altos de frete, enquanto os novos ataques às instalações de energia do Oriente Médio impulsionaram o apoio ao Brent.
"A escalada no Oriente Médio, os ataques à infraestrutura de petróleo e a morte da liderança iraniana apontam para uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo", disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, em uma nota.
Salto no petróleo afasta mais as chances de corte nos juros
Um novo salto nos preços do petróleo na esteira de uma reunião "hawkish" do Federal Reserve reduziu ainda mais a janela para os cortes na taxa de juros exigidos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aumentou as chances de que seu indicado para liderar o banco central precise apertar a política monetária no início de seu mandato.
Uma recente escalada na guerra entre os EUA e Israel com o Irã, com as instalações de petróleo e gás sendo diretamente visadas, levou os preços de referência do petróleo bruto acima de US$118 por barril, antes de recuarem na manhã desta quinta-feira. O custo médio da gasolina nos EUA subiu para US$3,88 o galão, marcando um salto de cerca de 30% em relação a antes do início da campanha conjunta de bombardeio entre os EUA e Israel.
A mudança repentina nas perspectivas geopolíticas levou os principais bancos centrais a adotarem uma postura cautelosa, e as autoridades do Fed não foram exceção na quarta-feira, já que previram uma inflação mais alta para o ano do que o estimado anteriormente.
Embora as projeções mais recentes das autoridades do banco central dos EUA ainda prevejam um único corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros este ano, o chair do Fed, Jerome Powell, advertiu que qualquer projeção neste momento deve ser tomada com "cautela", dada a incerteza sobre a duração da guerra, a elevação dos preços do petróleo e quais serão as consequências globais em termos de inflação e qualquer golpe no crescimento, à medida que os consumidores mudarem seus padrões de gastos ou reduzirem suas compras.
Os investidores veem os riscos de inflação como primordiais e o banco central dos EUA provavelmente afastado de qualquer mudança na taxa de juros, um golpe para a perspectiva do chefe indicado do Fed, Kevin Warsh, anunciada em entrevistas à imprensa e artigos antes de ele ser escolhido para substituir Powell, de que o banco central poderia cortar os juros e contar com o aumento da produtividade para reduzir a inflação com segurança.
Na manhã desta quinta-feira, investidores estavam colocando probabilidades aproximadamente iguais, de cerca de 10%, em um aumento dos juros pelo Fed e um corte até o final deste ano, embora esse posicionamento tenha mudado à medida que os preços do petróleo diminuíam e os líderes de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão emitiram um comunicado conjunto pedindo "uma moratória abrangente imediata sobre ataques à infraestrutura civil, incluindo instalações de petróleo e gás", e disseram que estavam preparados "para contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura" de petróleo e outros produtos através do Estreito de Ormuz, na costa sul do Irã.
O transporte marítimo pelo estreito canal tem sido impedido por contra-ataques e ameaças iranianas, um novo choque de abastecimento para uma economia global que teve que enfrentar vários desses golpes desde a eclosão de uma pandemia mundial em 2020. Nesta semana, os danos atingiram mais o coração do setor de petróleo e gás, com um ataque israelense contra um grande campo de gás iraniano e uma retaliação iraniana contra uma grande usina de gás natural no Catar, o que poderia prejudicar um importante fornecedor global por anos.


