Presidente da Febraban à CNN: Ajuste fiscal é única saída para baixar juros
Isaac Sidney pede harmonia entre política fiscal e monetária e colaboração entre os Três Poderes para cortar gasto

O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, afirmou em entrevista à CNN que o único caminho para a redução dos juros no Brasil é a reestruturação das contas públicas do país.
“Não há outro caminho. O Brasil só vai atingir níveis civilizados de juros, tanto básicos quanto bancários, quando tivermos uma política de finanças públicas que possa estabilizar o endividamento. Caminhamos para terminar 2026 com dívida equivalente a 84% do PIB. Isso é muito maior que dos nossos vizinhos: o Chile está em 40% do PIB, o México e a Colômbia, em 60%. Temos uma dívida elevada para um país emergente”
Hoje a taxa básica de juros do Brasil — a Selic — está parada em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas. Para o representante do setor bancário, os déficits recorrentes e a elevação da dívida pública explicam o cenário.
“O Banco Central parou de subir a Selic em boa hora e estamos acompanhando um processo de desinflação. Do outro lado, o Estado brasileiro, e não me refiro ao Executivo, mas a uma postura de país, precisa enfrentar o déficit público. Para isso precisamos ter uma reestruturação das finanças públicas, do orçamento”, disse.
Isaac Sidney explica um duplo efeito: primeiro, os financiadores da dívida brasileira passam a cobrar mais juro à medida em que têm dúvida sobre a capacidade do país de pagá-la; segundo, a política de gastos elevados acelera a demanda e gera inflação na economia, o que pressiona o BC para elevar as taxas.
“Por isso se fala da necessidade de ter harmonia entre a política fiscal e a política monetária. Teremos um cenário melhor se conseguirmos evoluir para controlar a dívida, os gastos obrigatórios. E não estou falando de programa ‘A’, ‘B’ ou ‘C’. O Brasil tem um orçamento muito engessado”, completou.
O economista reconheceu as iniciativas do governo em criar o arcabouço fiscal e reforçar receitas a fim de ajustar o fiscal. Mas disse que as medidas “não são suficientes” e pediu corte de gastos. Destacou, porém, que a redução das despesas é uma agenda de responsabilidade dos Três Poderes, não somente do Executivo.


