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Presidente do BRB: Faria Lima está "doida" pelos ativos do Master

Nelson Antônio de Souza afirmou a deputados do DF que grandes bancos querem comprar títulos que o BRB negociou e que não eram "podres"; ativos de cemitérios, bares e lojas estão na lista

Álvaro Augusto, da CNN Brasil*, Brasília
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O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse a deputados do Distrito Federal que os ativos "bons" comprados do Master estão atraindo o interesse de outros bancos, e que a ideia deles é pagar muito barato pelos títulos que sobraram da instituição de Daniel Vorcaro.

Segundo Nelson, esses valores não serão vendidos por enquanto, e o BRB vai esperar um momento de "melhor valorização". O montante comprado pelo Banco de Brasília do Master, que não estava "podre", é estimado em R$ 10 bilhões.

A declaração de Nelson Antônio foi dada em reunião com os parlamentares distritais, na segunda-feira (2), e confirmada pela CNN com fontes presentes no encontro.

A pauta discutida foi a situação financeira do BRB e o projeto de lei que autoriza a transferência de imóveis do governo do DF para o banco público.

O BRB tem um rombo estimado em cerca de R$ 6,6 bilhões, e que pode chegar até R$ 8 bilhões, de acordo com o presidente da instituição. Boa parte desse prejuízo pode ter sido causado pela compra de carteiras podres do Master: o BRB comprou cerca de R$ 21 bilhões do banco liquidado.

Desse montante negociado com o Master, ainda há alguns ativos "bons", com valor real de mercado. Entre eles, estariam cemitérios, bares de aeroporto e lojas, em um total que deve somar em torno de R$ 10 bilhões — o valor final ainda passa por auditoria no banco.

Os ativos do Master, portanto, seriam suficientes para cobrir o rombo do BRB. Porém, a possibilidade de vendê-los não está em cogitação por enquanto pela direção do banco público do DF.

O presidente do BRB disse que a ideia possível, agora, seria, no máximo, criar um fundo especial com os ativos. "Esses títulos do Master não serão negociados agora. Talvez o fundo possa ser feito, dentro da nossa lista de opções de recuperação", afirmou Nelson Antônio.

"Menu de possibilidades"

O chefe do BRB descartou a venda dos ativos na mesma reunião na qual apresentou uma lista de opções para recompor o rombo do banco. O "menu", como ele classificou, considera venda de subsidiárias (como a BRB Financeira, por exemplo) e a criação de uma empresa de internet banking.

O projeto de lei que pode autorizar a transferência de imóveis públicos do Distrito Federal para o BRB foi encaminhado pelo governo do DF à CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal). O governo de Ibaneis Rocha (MDB) fez articulações intensas nos bastidores para viabilizar a votação o mais rápido possível.

Deputados da oposição criticam a falta de uma análise mais longa acerca do tema, e defendem que o texto atual da proposta – a qual permite que grandes terrenos públicos com alto valor imobiliário passem ao domínio do BRB – seria uma espécie de "carta branca" para os gestores do banco.

Alguns oposicionistas chegaram a dizer que o presidente do BRB não apresentou nenhuma informação sobre os números do banco, e que o projeto de lei se baseia em um "pedido de voto de confiança", sem embasar o planejamento para recuperação da liquidez.

Já a base governista na Câmara Distrital argumenta que o BRB expôs detalhadamente o plano de recuperação, e que o banco público não vai precisar vender os terrenos, pois, segundo a base de Ibaneis, o BRB conseguirá resolver seu rombo antes que seja necessário embolsar o valor dos imóveis.

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