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    Presidente do Fed evita responder sobre eleições e despista corte de juros

    Jerome Powell enviou diversa mensagens aos investidores durante discurso ao Congresso

    Chair do Federal Reserve (banco central dos EUA), Jerome Powell
    Chair do Federal Reserve (banco central dos EUA), Jerome Powell 20/09/2023 - REUTERS/Evelyn Hockstein

    Nicole Goodkindda CNN

    O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell, enviou mensagens contraditórias aos investidores na terça-feira (9), durante seu depoimento semestral ao Congresso.

    Em seu discurso perante o Congresso, ele disse que o banco central não espera cortar as taxas de juros “até que tenhamos mais confiança de que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção a 2%”.

    Entretanto, ele observou que as leituras de inflação caíram significativamente em relação aos máximos de quatro décadas atingidos há dois anos. A economia dos EUA está esfriando, e “mais dados bons fortaleceriam nossa confiança de que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção a 2%”.

    Powell foi questionado por vários senadores sobre a política da Casa Branca, e ele se esquivou. Quando perguntado sobre a chamada Bidenomics, por exemplo, ele comentou que “não tocaria em uma frase com essa palavra”.

    Mas é difícil evitar a política quando o ex-presidente Donald Trump disse que, se eleito, não reconduziria Powell e o acusou de considerar cortes nas taxas para dar aos democratas uma vantagem nas eleições de 2024.

    Pode ser por isso que Powell fez questão de enfatizar que o banco central é uma entidade independente na terça-feira.

    “O Congresso confiou ao Federal Reserve a independência operacional necessária para adotar uma perspectiva de longo prazo na busca de nosso duplo mandato de emprego máximo e preços estáveis”, disse Powell.

    A independência do Fed é tranquilizadora para os mercados de capitais americanos e globais, disse Joseph Brusuelas, diretor e economista-chefe da RSM US.

    Isso porque os investidores precisam acreditar que os bancos centrais serão confiáveis e farão o que for melhor para a economia, em vez de estimular as economias e impactar os mercados antes das eleições.

    “Temos a ideia de que o Federal Reserve está estabelecendo um marco antes da próxima eleição presidencial”, disse Brusuelas.

    “Em uma era de populismo econômico e o possível advento de um segundo governo Trump, a ideia de independência do banco central é muito mais importante do que é comumente entendida ou apreciada entre os atores eleitos e o público”, acrescentou.

    Além da inflação

    A mensagem de Powell na terça-feira foi amplamente consistente com sua comunicação mais recente sobre a política do Fed — com uma grande exceção. Powell sinalizou sutilmente seu desejo de começar a “recalibrar a política monetária”, disse o economista-chefe da EY, Gregory Daco.

    Embora o chefe do banco central norte-americano tenha observado que as decisões de política dependem dos dados, “a inflação elevada não é o único risco que enfrentamos. Reduzir a restrição da política muito tarde ou muito pouco poderia enfraquecer indevidamente a atividade econômica e o emprego”.

    Embora a economia e o mercado de trabalho continuem fortes, o crescimento do emprego nos EUA diminuiu em junho, conforme os dados mais recentes sobre emprego.

    Isso fez com que alguns analistas se preocupassem com o momento em que o Fed deve reduzir as taxas de juros — se o banco central esperar demais, poderá levar a economia à recessão.

    “Sabemos que o desempenho da economia tem sido notável. O que os formuladores de políticas precisam avaliar é como a inflação e as condições do mercado de trabalho se comportarão nos próximos meses”, disse Daco.

    Reação discreta do mercado, mas com aumento dos rendimentos

    O reconhecimento de Powell de que taxas de juros mais altas por mais tempo poderiam colocar em risco a economia deveria ter sido uma boa notícia para os investidores ansiosos por cortes nas taxas.

    Mas essa mensagem foi atenuada por “seu mantra de que o Fed ainda está esperando por mais evidências de que a inflação está esfriando de forma confiável antes de agir”, disse Chris Larkin, diretor administrativo de negociações e investimentos da E*TRADE do Morgan Stanley.

    Como resultado, a maioria dos investidores bocejou na terça-feira. O S&P 500 fechou o dia com menos de 0,1% de alta.

    “O fato de o S&P 500 ter oscilado lateralmente durante seu depoimento sugere que os investidores estão de olho nos números da inflação”, disse Larkin, referindo-se aos dados do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA, que serão divulgados no final desta semana.

    Esses dados auxiliarão os investidores a discernir se houve mais progresso na luta do Fed contra a inflação.

    Entretanto, os rendimentos do Tesouro subiram na terça-feira, indicando que os investidores não acreditam que haverá um corte nas taxas nas próximas reuniões.

    Powell observou diversas vezes que cada decisão de política do Fed é tomada “ao vivo”, usando os dados econômicos mais recentes disponíveis — em outras palavras, as decisões não são tomadas com antecedência.

    Mas os investidores ainda acreditam que o resultado da reunião de julho está definido: 95% estão apostando que o Fed manterá as taxas inalteradas, segundo a ferramenta CME FedWatch.

    Em setembro, contudo, existe um pouco mais de incerteza. Cerca de 75% dos investidores acham que o Fed reduzirá as taxas, e cerca de 25% acham que elas permanecerão inalteradas.

    O presidente do Fed continua seu depoimento perante o Congresso nesta quarta-feira (10), em meio a uma agenda cheia até o final do mês.

    Na próxima segunda-feira, ele se juntará a David Rubenstein para uma “ampla entrevista sobre a situação atual da economia americana e global” no Economics Club, em Washington DC, e dará sua coletiva de imprensa habitual após a reunião de política do Fed no final de julho. Em agosto, ele falará no Simpósio Econômico de Jackson Hole.

    Isso significa haver bastante tempo para o Fed recalibrar suas mensagens e moderar as expectativas do mercado.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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