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Presidente dos Correios descarta privatização e fala em “parcerias”

Uma das medidas do plano de reestruturação da empresa prevê a contratação de uma consultoria externa para revisar o modelo organizacional e societário dos Correios

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou nesta segunda-feira (29) que, neste momento, a estatal descarta uma privatização, mas avalia parcerias com o setor privado, inclusive societárias.

As declarações foram dadas durante a apresentação do plano de reestruturação 2025–2027 da estatal.

“Não tem um olhar sobre privatização, mas tem um olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade de economia mista, que funcionam, tem exemplos em que não há sociedade de economia mista, mas há parcerias específicas para temas relevantes, como negócios financeiros e seguridades”, afirmou.

Uma das medidas do plano prevê a contratação de uma consultoria externa para revisar o modelo organizacional e societário dos Correios.

“O que a gente espera que a consultoria nos traga são exemplos que casem com a necessidade da empresa no contexto que estamos, para enxergar qual é o modelo para gente seguir, mas estamos bem abertos”, disse Rondon.

Empréstimo e corte de despesas

Na última sexta-feira (26), a empresa assinou um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos, com o objetivo de reequilibrar as contas nos próximos dois anos.

O financiamento conta com garantia do Tesouro Nacional. Na prática, isso significa que, caso a estatal não consiga honrar a dívida, a União assume a responsabilidade pelo pagamento.

A garantia reduz o risco da operação para as instituições financeiras, o que tende a permitir juros menores e condições mais favoráveis.

A estratégia de reestruturação prevê a captação total de até R$ 20 bilhões. Com o empréstimo já contratado, ainda faltariam cerca de R$ 8 bilhões para atingir o montante considerado necessário.

A decisão entre um eventual aporte do Tesouro ou a realização de uma nova rodada de empréstimos deve ser tomada em 2026, afirmou o presidente da estatal durante coletiva de imprensa.

Além do empréstimo, o plano de reestruturação 2025–2027 prevê ainda uma redução anual de R$ 4,2 bilhões em despesas, aumento de receitas estimado em R$ 1,7 bilhão e a geração de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis.

A empresa espera uma economia anual de R$ 2,1 bilhões com a otimização do quadro de funcionários e a gestão de benefícios.

Para isso, os Correios vão implementar um programa de demissão voluntária para até 15 mil empregados, revisar cargos de média e alta remuneração e reavaliar os planos de saúde e previdência. Os impactos dessas medidas começam em 2028, segundo a empresa

A estatal também planeja fechar cerca de mil unidades, o que deve gerar uma economia adicional de R$ 2,1 bilhões por ano.

Somadas, as medidas devem gerar um impacto positivo de R$ 7,4 bilhões por ano no caixa da estatal.

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