Prévia da inflação: IPCA-15 sobe 0,25% em dezembro, diz IBGE
Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,27% para o período; índice fechou 2025 com variação acumulada de 4,41%, abaixo do teto da meta oficial do BC para a inflação
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,25% em dezembro, pouco abaixo do esperado, sobre alta de 0,20% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (23).
Com o resultado, a prévia da inflação em 12 meses fechou o ano com variação acumulada de 4,41%, abaixo do teto da meta oficial do Banco Central, que é de 3% com tolerância de até 4,5%.
Em 2024, o acumulado de 2024 foi de 4,71%, sendo 0,34% em dezembro.
Pesquisa da Reuters previa alta de 0,27% para o mês e 4,43% em 12 meses.
Sete dos nove grupos de produtos e serviços do IPCA-15 tiveram alta em dezembro, informou o IBGE. O grupo de Transportes foi responsável pela maior variação (0,69%) do índice e impacto positivo mais acentuado (0,14 p.p.).
Já o maior impacto no IPCA-15 em 2025 (6,69%) foi o grupo de Habitação, devido à energia elétrica residencial, que ficou com acumulado de 11,95%.
No mês de dezembro, também puxaram a alta da prévia da inflação os grupos de Vestuário (0,69% e 0,03 p.p.) e Despesas Pessoais (0,46% e 0,05 p.p.). Já entre as quedas, o impacto mais expressivo foi do grupo Artigos de Residência (-0,02 p.p e -0,64%).
Os demais ficaram entre o recuo de 0,01 de Saúde e Cuidados Pessoais e o avanço de 0,17 na Habitação.
No início deste mês, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, decisão amplamente aguardada. Segundo o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, a manutenção da Selic no patamar elevado é "adequado para assegurar a convergência da inflação à meta".
Além disso, o comitê informou que os juros seguirão no atual nível "por período bastante prolongado".
No Relatório de Política Monetária, a autarquia reduziu de 71% para 26% a probabilidade da inflação de 2025 estourar o teto da meta (4,5%) em 2025. Já para 2026, a previsão é que a inflação fique em 3,5%.
Passagens aéreas e combustíveis têm alta
Segundo o IBGE, no grupo Transportes (0,69%), o principal e maior impacto individual no índice do mês veio das passagens aéreas, que subiram 12,71% (0,09 p.p.). Já o transporte por aplicativo teve alta de 9% e 0,02 p.p. de impacto.
Os combustíveis subiram 0,26%, com altas de 1,70% no etanol e de 0,11% na gasolina. O gás veicular e o óleo diesel apresentaram recuos de 0,26% e 0,38%, respectivamente.
Ainda em Transportes, a variação de -0,69% no ônibus urbano considera as gratuidades concedidas aos domingos e feriados em Belém (-5,93%) e Brasília (-7,43%), além da redução de tarifa em Curitiba (-3,41%).
No metrô (-0,62%), ocorre o mesmo movimento em Brasília (-7,43%) e, em São Paulo, a queda de 0,20%, também registrada no trem (-0,11%), além dos -0,16% no subitem integração transporte público, consideram a liberação do pagamento de passagem nos dias de realização das provas do ENEM (09/11 e 16/11).
Já o grupo Vestuário teve alta de 0,69%, puxado por roupas infantil (1,05%), feminina (0,98%) e masculina (0,70%).
Hospedagem e outros itens
Na passagem de novembro para dezembro, o grupo Despesas Pessoais desacelerou, conforme o IPCA-15. A hospedagem recuou 1,18% em dezembro.
Por outro lado, alguns serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,25%), empregado doméstico (0,48%) e pacote turístico (2,47%) tiveram alta na prévia da inflação.
Já o grupo de Alimentação e bebidas – com maior peso no índice – variou 0,13%. A alimentação no domicílio (-0,08%) apresentou queda na média de preços pelo sétimo mês consecutivo.
Contribuíram para esse resultado os recuos do tomate (-14,53%), do leite longa vida (-5,37%) e do arroz (-2,37%).
Já entre as altas no período, destacaram-se as carnes (1,54%) e as frutas (1,46%), mostrou ainda o IBGE.
A alimentação fora do domicílio registou variação de 0,65% em dezembro, com as altas do lanche (0,99%), e da refeição (0,62%).
A queda de 0,64% nos Artigos de residência foi motivada pelos recuos em eletrodomésticos e equipamentos (-1,41%) e em tv, som e informática (-0,93%).
*Com informações da Reuters


