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    Prévia da inflação é de 0,78% em janeiro, sob pressão de alimentação e energia

    É a maior taxa para um mês de janeiro desde 2016

    Aglomeração dentro de supermercado em Recife (PE), no dia 10/12/2020
    Aglomeração dentro de supermercado em Recife (PE), no dia 10/12/2020 Foto: JÚLIO GOMES/LEIAJÁIMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO

    CNN Brasil Business

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial do país, registrou taxa de 0,78% em janeiro. A inflação é inferior à observada em dezembro de 2020 (1,06%), mas superior à registrada em janeiro do ano passado (0,71%).

    Essa é a maior taxa para um mês de janeiro desde 2016, quando a alta do índice foi de 0,92%, apesar do desaceleramento da prévia.

    O dado foi divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado de janeiro, o IPCA-15 acumula taxa de inflação de 4,3% em 12 meses, acima dos 4,23% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores (janeiro a dezembro de 2020).

    O principal impacto na prévia da inflação veio do grupo alimentação e bebidas (1,53%), devido à alta de preços de itens consumidos em domicílio como as frutas (5,68%).

    O resultado se deveu principalmente aos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 2,57% em dezembro para 1,73% em janeiro. As carnes (1,18%), o arroz (2,00%) e a batata-inglesa (12,34%) apresentaram menor pressão de preços na comparação com o mês anterior.

    Já a energia elétrica, com alta de 3,14%, foi o item individual que mais impactou a prévia da inflação de janeiro, embora tenha passado de uma alta de 4,08% em dezembro.

    O grupo de despesas habitação, que inclui gastos com energia, teve taxa de 1,44% no mês (depois de taxa de 1,50% em dezembro), também impactado pela alta de 2,42% do gás de botijão.

    Juntos, os grupos Alimentação e Habitação responderam por cerca de 69% do IPCA-15 de janeiro, segundo o IBGE.

    Outros grupos de despesas com inflação foram vestuário (0,85%), artigos de residência (0,81%), saúde e cuidados pessoais (0,66%), despesas pessoais (0,40%), transportes (0,14%) e educação (0,11%). Comunicação foi o único grupo com deflação (queda de preços): -0,01%.

    Para 2021 a meta do governo é de uma inflação de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA. Em 2020, o IPCA fechou com alta acumulada de 4,52%, acima do centro da meta do governo, de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância também de 1,5 ponto.

    As expectativas em pesquisa da Reuters eram de avanços do IPCA-15 de 0,81% no mês e de 4,33% em 12 meses.

    As preocupações com o cenário inflacionário levaram o Banco Central na semana passada a retirar do seu comunicado o “forward guidance”, com o qual mantinha o compromisso de não elevar os juros desde que algumas condições estivessem satisfeitas.

    Nesta terça-feira, a autoridade monetária explicou na ata do encontro de política monetária que o entendimento predominante no colegiado foi de que, diante das incertezas, seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus.

    A pesquisa Focus realizada pelo BC junto a uma centena de economistas mostrou que a expectativa é de que a inflação encerre este ano e o próximo a 3,50%.

    (Com Agência Brasil e Reuters)