Produção de veículos em março é a melhor desde 2019, diz Anfavea
Com 264,1 mil unidades, indústria atinge maior patamar produtivo desde o pré-pandemia; setor de caminhões reage com programa Move Brasil

A produção de veículos no Brasil atingiu 264,1 mil unidades em março, consolidando o melhor resultado mensal para o setor desde outubro de 2019, segundo dados divulgados pela Anfavea nesta quarta-feira. (8).
O volume representa um salto de 27,6% em relação a fevereiro deste ano e 35,6% em relação a março de 2025, sinalizando uma retomada consistente da atividade industrial, superando os patamares registrados antes da crise sanitária global.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a fabricação nacional já soma 634,7 mil autoveículos, um crescimento de 6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirma que ainda não é tempo de comemorarmos: “Surpreendeu março, mas o foco está em abril. Março foi diferente do que estávamos esperando, mas não dá ainda para dizer que é uma tendência pro restante do ano”, argumentou.
Vários fatores corroboram para a cautela, segundo Igor, como os juros altos.
A taxa básica de juros caiu em 0,25 p.p em março, mas a Anfavea ainda considera o patamar da Selic como elevado e coloca na balança a guerra no Oriente Médio.
De acordo com a associação, o fôlego produtivo foi impulsionado tanto pelo mercado interno aquecido quanto pela recuperação das exportações, que tiveram em março seu melhor desempenho em quase dois anos, com 40,4 mil unidades enviadas ao exterior.
Vendas e o "efeito março"
O otimismo das fábricas é acompanhado pelo balcão das concessionárias.
Os emplacamentos somaram 269,5 mil unidades no mês, o que configura o melhor março para o varejo automotivo desde 2013.
No trimestre, as vendas totais alcançaram 625,2 mil veículos, alta de 13,3% sobre o início de 2025.
Caminhões e o impulso do Move Brasil
O segmento de veículos pesados, que vinha enfrentando desafios, apresentou uma reação vigorosa.
A produção de caminhões saltou 31,9% em março comparado a fevereiro, totalizando 8,8 mil unidades.
Esse movimento é atribuído diretamente ao impacto do Move Brasil, programa federal de renovação de frota e crédito subsidiado.
Embora o acumulado do ano para caminhões ainda apresente uma queda de 21,1% em relação a 2025, o ritmo de março indica que o setor de pesados iniciou uma trajetória de recuperação sustentada pelo incentivo governamental.
Eletrificados em disparada
Outro destaque do relatório foi a consolidação dos veículos eletrificados (híbridos e elétricos).
O primeiro trimestre de 2026 registrou quase 100 mil emplacamentos dessa categoria, volume que é o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Esse avanço reforça a mudança de perfil do consumidor brasileiro e aposta das montadoras em tecnologias de descarbonização, tema central das discussões de política industrial no país.


