Produtores acham pouco viável China trocar soja brasileira por americana
Para representantes do setor nacional, EUA não tem oferta suficiente para aumentar drasticamente venda à China e soja brasileira apresenta melhor custo benefício

Os produtores de soja brasileiros avaliam como pouco viável a possibilidade de a China atender ao pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e “quadruplicar” a importação do produto norte-americano — cenário que poderia significar um risco ao segmento do Brasil.
Trump pediu no domingo (10), por meio da rede Truth Social, que a China quadruplique suas compras do produto dos Estados Unidos. O republicano disse que o país asiático estaria preocupado com sua escassez de soja e que esse movimento ajudaria reduzir o déficit comercial dos EUA.
Representantes do setor e produtores brasileiros, segundo apuração da CNN, ainda tratam o assunto com cautela: aguardam os desdobramentos do assunto e buscam entender se a proposta será levada à frente antes de qualquer resposta.
Em um primeiro momento, contudo, a avaliação do segmento é de que não será possível a China substituir a soja do Brasil pela americana “de uma hora para outra”: primeiro porque os EUA não teriam esta oferta de grãos; e segundo porque o produto brasileiro apresenta melhor custo benefício, com maior teor de óleo e proteína.
Em 2024, a China importou cerca de 105 milhões de toneladas de soja, sendo cerca de 74 milhões de toneladas do Brasil e 22 milhões de toneladas dos EUA. Para os produtores brasileiros, não há excedente de produção nos Estados Unidos para mudar drasticamente este cenário.
Especialista faz ressalva
Até a primeira passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os norte-americanos se destacavam como fornecedores da oleaginosa ao país asiático. Desde a primeira guerra comercial deflagrada pelo republicano, a balança virou de ponta cabeça.
Especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e sócia da Vallya Participações, Wachholz relatou à CNN que os chineses têm para eles que a diversificação de mercado foi fruto de um esforço e que, por tanto, o país "não teria interesse em caminhar para uma nova dependência".
Wachholz também foi assessora especial do Ministério da Agricultura para assuntos relativos à China. Ela ressalta que na relação entre os EUA e a China houve uma quebra de confiança em relação a um "produtos tão essencial como a soja" para os chineses.


