William Waack

Reforma do IR deixará sistema tributário mais justo, diz tributarista

Cientista político, contudo, questiona viabilidade da proposta

João Nakamura, da CNN, em São Paulo
Lina Santin, tributarista do NEF/FGV, e Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, participam da bancada do WW desta quinta-feira (10)
Lina Santin, tributarista do NEF/FGV, e Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, participam da bancada do WW desta quinta-feira (10)  • Reprodução: CNN Brasil
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Para promover um sistema tributário mais justo no Brasil, o reajuste na tabela de isenção do Imposto de Renda (IR) é necessário, segundo Lina Santin, advogada tributarista e pesquisadora do Núcleo de Estudos Fiscais da Fundação Getulio Vargas (NEF/FGV).

"Embora no governo Lula já tenhamos visto duas vezes essa melhora, o valor atual ainda não cobre toda a inflação do período. A proposta de isenção para quem ganha até R$ 5 mil seria desejável do ponto de vista da justiça fiscal", defendeu Santin no WW desta quinta-feira (10).

Até 2023, as pessoas que ganhavam até R$ 1.903,98 mensais eram isentas do pagamento do imposto. A primeira mudança da atual gestão foi elevar a faixa de modo que cobrisse quem vivesse à base de dois salários mínimos.

Com o reajuste do salário mínimo em 2024, a faixa de isenção foi novamente elevada, chegando aos atuais R$ 2.824. A promessa feita ainda em campanha pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi de liberar todos que ganham até R$ 5 mil de pagar o IR.

Nesta quinta-feira (10), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a comentar sobre a proposta, que vem sendo adiada há um tempo. Segundo o ministro, ele não é pressionado sobre o projeto, que do seu ponto de vista deve ser trabalhado para que o melhor texto possível seja entregue.

"Nós apresentamos para o presidente os estudos. São quatro cenários, e em cada cenário tem alguns exercícios sobre os parâmetros de cada um deles. Então, não é uma coisa simples. E o presidente está avaliando cada um desses cenários e pedindo novos exercícios para a Receita Federal", pontuou Haddad.

O ministro reforçou que a medida deve ser neutra do ponto de vista arrecadatório. Ou seja, não pode gerar nem perda e nem ganho de arrecadação, da mesma forma como está sendo feita a reforma tributária sobre o consumo.

De fato, a preocupação do ponto de vista arrecadatório é reforçada por Santin, que aponta um buraco estimado de R$ 35 bilhões.

Desse modo, uma alternativa mencionada por Haddad foi a taxação de milionários.

No WW desta quinta, Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, questionou a viabilidade do projeto ao apontar que Haddad se contradizendo.

"Por mais que [Haddad] diga que [a proposta] não é aumentar carga, o problema é que não é essa a sinalização que o governo está dando", argumenta Noronha, ao elencar entre as propostas enviadas pelo Executivo ao Congresso o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a tributação de multinacionais.

Porém, a tributarista do NEF/FGV reforça que esta e as outras opções mencionadas por Haddad, que ainda não são públicas, devem ser levadas em consideração pela necessidade da reforma em termos de justiça fiscal.

Ela aponta que a proposta pode dar certo se for trabalhada diferentemente de um Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), abordando por um caminho de alíquota extra e de maior progressividade, de modo a evitar a fuga de capital do país, como aconteceu em lugares que tentaram aplicar modelos de IGF.

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