Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Risco da reforma tributária é captura por grupos de pressão, diz Marcos Lisboa

    À CNN, economista e ex-presidente do Insper critica exceções previstas no texto, inclusive para sua própria categoria – a dos economistas

    Débora OliveiraFernando Nakagawada CNN

    São Paulo

    A reforma tributária tem sido “capturada” por grupos de interesse – e essa ação tem desfigurado o novo modelo de cobrança de impostos do Brasil. A avaliação é do economista e ex-presidente do Insper, Marcos Lisboa, ao CNN Entrevistas (assista à íntegra acima).

    “Agora, o problema é que nesse processo [de tramitação da reforma] a captura foi grande. Os lobbys entram e fazem umas contas estapafúrdias”, disse o ex-secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda no governo Lula entre 2003 e 2005.

    Ao CNN Entrevistas, Lisboa criticou a maneira com que o tema tem sido tratado em Brasília, especialmente com a criação de várias exceções.

    “Acho inaceitável que a minha categoria, a dos economistas, esteja em um regime simplificado. Não tem nenhuma justificativa moral isso.”

    Pelo desenho da reforma tributária, vários profissionais – como economistas, advogados, engenheiros, médicos e até personal trainer – tenham um regime diferenciado, com menor alíquota de imposto.

    “Essa questão dos grupos de pressão me preocupa muito”, disse, ao sugerir que o processo de discussão da reforma deveria ser mais transparente.

    Ao criticar reuniões fechadas entre legisladores e grupos de interesse, o economista sugere o tema só poderia ser debatido em audiências públicas.

    “Devia ser uma norma entre o poder público e o setor privado. Agora, reunião só com audiência pública com ata e registrada”.

    Elogio a Campos Neto

    Na entrevista à CNN, Marcos Lisboa analisou a política monetária e elogiou o trabalho de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.

    “Campos Neto fez um trabalho ótimo no BC. Temos que ter muita gratidão à maneira como o trabalho foi conduzido”, disse.

    O economista reconhece que “pode-se discordar aqui, acolá”, mas a análise do quadro amplo mostra uma gestão bem-sucedida.

    “Você olha o quadro geral: a gente saiu de uma inflação muito alta na pandemia para uma inflação bem baixa”, disse.

    Lisboa também elogia outras ações do BC, como a execução do Pix e de mudanças no mercado de crédito.