Sem acordo definitivo sobre Ormuz, empresas marítimas mantêm cautela

Fechamento do estreito continua impedindo que 20% do abastecimento mundial de petróleo chegue aos mercados globais

Vanessa Yurkevich e Chris Isidore, da CNN, Matt Egan
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Os executivos mais influentes do setor de transporte marítimo do mundo estão reunidos em Atenas esta semana para a Feira Internacional de Transporte Marítimo, que ocorre anualmente. O tema em destaque: o Estreito de Ormuz.

O presidente Donald Trump afirmou que a reabertura do estreito é iminente. Autoridades do governo destacam que os navios estão conseguindo passar pelo importante ponto de estrangulamento.

No entanto, a maioria dos executivos do setor de transporte marítimo continua relutante em enviar seus navios de carga pelo canal de 34 quilômetros até que os Estados Unidos e o Irã cheguem a um acordo de paz definitivo que inclua a reabertura segura do estreito.

O fechamento do estreito continua impedindo que 20% do abastecimento mundial de petróleo chegue aos mercados globais, além do gás natural liquefeito e dos fertilizantes necessários para o bom funcionamento da economia global.

Depois que os preços do petróleo caíram na semana passada, impulsionados pela esperança de um acordo para reabrir o estreito, os contratos futuros de petróleo dispararam na segunda-feira, após um fim de semana marcado por novos confrontos na região e relatos de que o Irã havia rompido as negociações de paz.

De acordo com a empresa de pesquisa Kpler, apenas sete navios passaram pelo estreito na sexta-feira — cinco entrando e dois saindo. No fim de semana, apenas mais quatro navios deixaram o estreito. Normalmente, cem navios de carga trafegam pela hidrovia diariamente, de acordo com a Lloyd’s List, provedora de dados de transporte marítimo.

“O tráfego continua excepcionalmente reduzido”, disse Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler, à CNN. “Com exceção de alguns poucos petroleiros que cruzam o estreito diariamente, ele permanece praticamente fechado.”

Como o tráfego atual é insignificante em comparação com o normal, os representantes do setor não acreditam que isso vá causar um impacto significativo nos mercados globais.

Será preciso mais do que um “número limitado de travessias bem-sucedidas” para restaurar a confiança, disse à CNN Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, que passou cinco anos trabalhando para a American President Lines no Oriente Médio.

“A questão mais importante é se as transportadoras, seguradoras e operadores de navios têm confiança suficiente no ambiente de segurança a longo prazo para retomar os padrões regulares de serviço”, disse Seroka.

Os esforços do mês passado para que as Forças Armadas dos EUA escoltassem navios comerciais para fora do estreito por meio do “Projeto Liberdade” revelaram-se de curta duração.

Apesar dos relatos sobre novas escoltas navais nos últimos dias, um porta-voz do Comando Central dos EUA afirmou que isso não havia ocorrido.

“Embora as forças americanas não estejam escoltando, continuamos a nos comunicar e a coordenar com os navios comerciais que buscam transitar livre e seguramente pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o capitão Tim Hawkins, porta-voz do comando.

Fontes do setor confirmam que levará algum tempo para que o tráfego normal seja retomado.

“Nossa impressão geral é que a ameaça aos navios que atravessam o estreito ainda é significativa, e não veremos uma retomada total do tráfego pelo estreito até que haja uma garantia mais sólida de passagem segura”, disse uma fonte do setor petrolífero à CNN na segunda-feira.

Na segunda-feira, um navio de carga que navegava no norte do Golfo Pérsico foi atingido por um projétil desconhecido, de acordo com uma organização de segurança marítima administrada pelas forças armadas britânicas.

Houve 39 ataques a navios na região e 11 mortes desde o início da guerra, de acordo com a Organização Marítima Internacional.

Os navios porta-contêineres, que normalmente transportam grande parte dos alimentos e outras mercadorias para os países do Golfo, também ficaram retidos devido ao fechamento do estreito.

A Maersk, uma das maiores empresas de transporte de contêineres do mundo, não tem nenhum navio partindo desde meados de maio. Seis navios da Maersk continuam retidos no Golfo.

“À medida que o setor de transporte marítimo enfrenta pressões crescentes decorrentes de eventos geopolíticos, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para trabalhar em conjunto e sempre colocar a segurança dos marítimos em primeiro lugar”, afirmou Arsenio Dominguez, secretário-geral da OMI, na conferência sobre transporte marítimo realizada na Grécia na segunda-feira.

“Apelo ao setor para que se una à OMI na defesa do princípio da liberdade de navegação, incluindo a rejeição de pedágios e medidas discriminatórias de trânsito.”

As tarifas de transporte marítimo no resto do mundo já dispararam devido às interrupções. A Heidmar, uma operadora grega de petroleiros, registrou um aumento de mais de 200% na receita no primeiro trimestre deste ano em comparação com o ano passado, principalmente devido ao que o CEO Pankaj Khanna descreveu como tarifas de transporte “historicamente elevadas”.

O CEO da Chevron, Mike Wirth, disse que levará tempo para restaurar a confiança abalada pela guerra.

“É preciso que novos navios voltem a operar, e os armadores precisam se sentir à vontade para enviar tripulações de volta depois de ficarem presos por meses”, disse Wirth à Bloomberg na sexta-feira.

“Esvaziar os estoques para permitir que os campos (de petróleo) reiniciem as operações e reparem os danos não acontecerá da noite para o dia.”

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