Sem teto de gastos, BC pode mudar política monetária, diz Campos Neto

Em encontro privado, president do BC sinalizou que os juros podem subir se o país entrar numa rota de insolvência fiscal

Thais Herédia, da CNN
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Em uma live fechada com investidores, promovida pelo banco de investimentos JP Morgan, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teve que se posicionar sobre o debate em torno do Renda Cidadã.

A CNN conversou com alguns participantes que relataram a reação de Campos Neto ao ser perguntado sobre as ameaças ao teto de gastos para a criação de um novo programa social.

O presidente do BC teria sido taxativo ao afirmar que, se o teto for abandonado, o Copom vai ter que abrir mão do chamado ‘foward guidance’, uma ferramenta de gestão de política monetária recém adotada pelo Comitê para administrar expectativas dos agentes econômicos sobre a taxa de juros.

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Segundo as fontes ouvidas pela coluna, Campos Netto não demonstrava desconforto, ao contrário, respondeu a todos com tranquilidade, porém sem dourar a pílula.

Segundo um dos participantes, ao dizer que pode abrir mão deste instrumento, Campos Neto sinaliza claramente que os juros podem subir se o país entrar numa rota de insolvência fiscal, provocada pelo fim do teto de gastos.

O foward guidance é uma ferramenta muito usada pelo FED, banco americano, que sinaliza que o BC vai manter os juros onde estão por um longo período. Isto sustenta a expectativa dos agentes e investidores com mais previsibilidade para poderem decidir sobre alocação de recursos.

O Copom adotou o FG desde o encontro de agosto, quando decidiu pela redução da Selic para 2% ao ano. No comunicado da decisão, os diretores sinalizaram que a taxa seria mantida por um longo período, ação que foi confirmada no encontro de setembro.

Economistas afirmam que a comunicação do BC pode ser tão eficiente quanto a mudança do juro em si. Ainda mais quando a autoridade monetária goza de credibilidade, como é o caso da atual diretoria comandado por Roberto Campos Neto.

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