Senado calcula que isenção do IR deixará rombo de R$ 8 bilhões em 2026

Segundo técnicos da Casa, mudanças estabelecidas pela Câmara enxugaram potencial de arrecadação do mecanismo de compensação

Danilo Moliterno, da CNN Brasil, em São Paulo
Compartilhar matéria

Técnicos do Senado Federal calculam que o PL (projeto de lei) que leva a isenção do IR (imposto de renda) aos brasileiros que ganham até R$ 5 mil deixará um rombo de R$ 8,35 bilhões em 2026. Nas contas da Consultoria de Orçamentos da Casa, o prejuízo seria de R$ 16,22 bilhões até 2028.

Segundo estudo da Consultoria ao qual a CNN teve acesso, mudanças implementadas pela Câmara dos Deputados — que aprovou o projeto no início de outubro — tiraram potencial de arrecadação do mecanismo de compensação, um imposto mínimo efetivo sobre rendas superiores a R$ 600 mil anuais.

A maior parte das perdas para 2026 teriam como origem a isenção para os dividendos cuja distribuição seja definida até 2025. Também pioraria o saldo do projeto a expansão da faixa de isenção parcial de R$ 7.000 para R$ 7.350 e mudanças com relação à tributação da atividade rural.

Prejuízos com o projeto:

  • 2026: R$ 8,35 bilhões
  • 2027: R$ 3,04 bilhões
  • 2028: R$ 4,82 bilhões
  • Total: 16,22 bilhões

De acordo com as contas, o PL enviado pelo governo ao Congresso teria impacto positivo de R$ 8,28 bilhões em 2026 e de R$ 15,85 bilhões até 2028. As alterações propostas pelo relator na Câmara, Arthur Lira (PP-AL) — e chanceladas pelo Plenário —, teriam revertido o cenário, segundo o estudo.

Arthur Lira defende que trabalhou na Câmara pela neutralidade do projeto. No Senado, o relator é o presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), Renan Calheiros (MDB-AL).

Nos bastidores, a divergência ganha tons políticos, enquanto os parlamentares protagonizam há anos embates eleitorais em Alagoas.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais