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Setor eólico cobra avanços regulatórios e financiamento antes da COP30

Evento em São Paulo debate papel do Brasil na liderança das energias limpas

Vinícius Murad, da CNN Brasil
Torres de energia eólica
Tema deste ano — “COP30 e o papel da energia eólica: acelerando a descarbonização da economia” — destaca o papel estratégico do Brasil no avanço das fontes renováveis em meio às negociações climáticas globais  • 9/08/2024REUTERS/Axel Schmidt
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O Brasil Windpower 2025 começou nesta terça-feira (28) em São Paulo, reunindo autoridades, especialistas e executivos do setor de energia para discutir os desafios e oportunidades da transição energética.

Entre os temas discutidos, os participantes cobraram avanços regulatórios e mais financiamento ao setor eólico, um dos pilares da transição energética e que está em evidência às vésperas da COP30.

O evento, promovido pela ABEEólica com apoio da Aliança Global das Renováveis (GRA) e da InformaMarkets, segue até quinta-feira (30) no São Paulo Expo, com a presença de centenas de empresas e milhares de visitantes.

O tema deste ano — “COP30 e o papel da energia eólica: acelerando a descarbonização da economia” — destaca o papel estratégico do Brasil no avanço das fontes renováveis em meio às negociações climáticas globais.

Governadores do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Bahia, além do ministro dos Transportes, Renan Filho, participaram da abertura, junto a parlamentares e representantes de entidades do setor.

A enviada especial da COP30 para energia, Elbia Gannoum, destacou a relevância do país na transição energética.

“Não há dúvidas de que o Brasil é uma grande potência global quando se fala em energia, principalmente as renováveis. A COP30 tinha que ser no Brasil, e tinha que ser aqui, nesse momento crucial. Entendemos que está na hora de fazer ajustes nas políticas regulatórias, no sinal de investimento”, afirmou.

Ela também reforçou o apelo do setor para que o Senado aprove o projeto de reforma do setor elétrico, de autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que trata da realocação de subsídios e modernização das regras do setor.

A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacou o papel do banco no fomento à energia limpa e nas discussões com o Congresso. Segundo ela, o governo e o Legislativo têm atuado para criar um ambiente de negócios favorável e atrair capital.

“A COP30 tem atraído muitos investidores, inclusive internacionais, interessados nas soluções de energia limpa brasileiras”, disse.

Entre os governadores presentes, Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, afirmou que o estado tem se preparado para expandir sua participação na matriz renovável.

“Conseguimos acelerar muito os processos de licenciamento e implementar novas linhas de transmissão, agora suficientes para que a produção de energia no RS possa ser levada a todos os lugares”, afirmou.

O governador também destacou os investimentos em hidrogênio verde e disse acreditar que o Brasil pode se tornar exportador dessa nova fonte energética.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), ressaltou o protagonismo do Nordeste na transição energética.

“O Brasil está voltando a exercer protagonismo na agenda climática global, e o Nordeste assume papel estratégico: usar nossa vocação natural para energias e transformar isso em mais desenvolvimento e educação. No RN, somos o estado mais verde do país, com 98% de energia limpa”, afirmou.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, também fez referência à próxima conferência do clima, em Belém, dizendo que “a COP30 é a COP da implementação”.

Segundo ele, é hora de colocar em prática os compromissos assumidos nos acordos anteriores.

“Boa parte do mundo ainda não implementa, não assume cronograma, compromisso financeiro e nem custos. A COP da implementação precisa ser a COP do financiamento cruzado, para que os países mais ricos financiem a transição dos subdesenvolvidos”, afirmou.

Ao longo dos três dias de evento, o Brasil Windpower deve discutir ainda temas como financiamento climático, inovação tecnológica e políticas públicas para acelerar a descarbonização da economia.

A expectativa da organização é que os debates ajudem a consolidar a energia eólica como um dos principais motores da transição sustentável brasileira.

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