Sob influência do petróleo, Fazenda eleva projeção do IPCA para 2026

Em fevereiro, a estimativa era de que a inflação encerrasse o ano em 3,6%; projeção do PIB se manteve em 2,3%

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação de 2026 por causa da volatilidade dos preços do petróleo. Dados compilados pela Secretaria de Política Econômica divulgados nesta sexta-feira (13) estimam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve terminar o ano em 3,7%, dentro da meta.

Em fevereiro, a projeção era de 3,6%. De acordo com a pasta econômica, a revisão considerou um repasse de cerca de 20% a 30% dos preços das distribuidoras de combustíveis para os preços de comercialização final, que foi parcialmente compensado com uma redução de 0,06 ponto percentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar.

Já em relação à projeção do PIB (Produto Interno Bruto), o Ministério da Fazenda manteve suas estimativas em 2,3%, mesmo patamar de fevereiro.

“A elevação de 10,8% na cotação média do petróleo no ano contribuiu para melhorar o crescimento de 2026 em 0,1 ponto percentual. Em compensação, entre a grade de fevereiro e março houve a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025 e o resultado para a indústria (crescimento de 1,4% no ano), em específico, veio abaixo do esperado pela SPE (alta de 1,7%)”, diz a pasta em nota.

Por setor produtivo, a projeção de crescimento da SPE se alterou apenas marginalmente para 2026. Veja:

  • Agropecuária: projeção de crescimento está em 1,2%;
  • Indústria: alta esperada é de 2,2%;
  • Serviços: PIB do setor deve crescer 2,4%.

O fechamento das projeções ocorreu nos primeiros dias de março, antes do barril do petróleo ultrapassar US$ 100.

Apesar do choque no petróleo, as perspectivas macroeconômicas do governo para 2026 permanecem favoráveis. Na avaliação do ministério, a elevação nos preços do petróleo impacta positivamente a atividade econômica, a balança comercial e a arrecadação nos cenários simulados, embora haja inflação mais pronunciada no caso de choque disruptivo, ou seja, no pior cenário.

“Por isso, a expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida”, diz a nota técnica.

De acordo com o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, as projeções não consideram o pacote de medidas anunciado pelo governo na última quinta-feira (12). As medidas incluem, entre outras, a redução a zero da alíquota do Pis/Cofins na importação e comercialização de diesel.

"Essas projeções de aumento de inflação não trazem consigo necessariamente o impacto de políticas públicas que podem ser usadas para mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis domesticamente. Se essas políticas forem bem sucedidas, isso tem um impacto de redução na pressão inflacionária. Esse aumento esperado pode ser um pouco menor, assim como pode afetar marginalmente o PIB ou mesmo algumas outras variáveis", disse Mello.

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