Tarifa de 10% dos EUA parece novo normal, diz secretário-executivo do Mdic

Márcio Elias Rosa também afirmou que é injusto dizer que governo foi "aproveitador" com tarifaço, e que tema não serve para política eleitoral

Sofia Kercher, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Na visão de Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as tarifas de 10% implementadas ao resto do mundo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parecem ser o "novo normal".

Em evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira (25), Rosa afirmou que o remanescente das taxas estão sendo utilizados como um "instrumentos de persuasão", similar àqueles utilizados em contexto de guerra.

Para exemplificar a lógica, o secretário cita o caso da Índia. Em fevereiro, o republicano recebeu na Casa Branca Narendra Modi, primeiro ministro indiano alinhado à ideologia política norte-americana. Na época, Modi chegou a usar o mote de Trump, afirmando que queria "Tornar a Índia Grande Novamente".

Após o estreitamento dos laços entre as nações e da definição de uma tarifa de 25%, em agosto, o presidente dos EUA mudou de ideia. Foi anunciada uma tarifa adicional de 25% (resultando em uma tarifa de 50%) sobre as importações indianas, derivadas do país continuar importando petróleo da Rússia.

Rosa também cita a Indonésia: para reduzir as tarifas de 32% a 19%, o país concordou em reduzir as tarifas para zero em mais de 99% de seu comércio com os EUA e eliminar todas as barreiras não tarifárias para produtos norte-americanos.

"É uma equação difícil. Ninguém consegue ignorar a grandeza dos Estados Unidos e de sua economia", avalia.

Em relação ao Brasil, o secretário tem participado de reuniões técnicas, junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), com Howard Lutnick, secretário de comércio dos EUA. O último encontro, segundo Rosa, foi há 10 dias. "Eles tem ocorrido de maneira bastante cordata, mas pouco produtiva. Do lado de lá, não vem uma contraproposta, infelizmente", diz.

Relevância eleitoral

Questionado sobre movimentações eleitorais em cima do tarifaço, o secretário acredita que "não é justo" afirmarmos que o governo brasileiro tem adotado uma postura aproveitadora. "Evidente que não se pode fazer política eleitoral com essa tema: ele é ruim do começo ao fim", diz.

Segundo a avaliação de Rosa, dentro do governo, não falta quem identifique apenas efeitos prejudiciais do que se está vivendo em relação oa EUA.

"Em primeiro momento, a defesa da nação encanta, mas isso não se transforma em apoio político e eleitoral (...). Temos que separar estes temas", finaliza.

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