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Tarifa de 50% dos EUA é decisão política e insustentável, diz Haddad

Presidente norte-americano Trump anunciou na última quarta (9) uma taxa adicional sobre a importação de produtos brasileiros

Vitória Queiroz, da CNN, em Brasília
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a decisão dos Estados Unidos de taxar em 50% as importações brasileiras como "política" e "insustentável". Na avaliação de Haddad, a atitude norte-americana é irracional.

O chefe da pasta econômica concedeu uma entrevista nesta quinta-feira (10) a mídias independentes do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

“Eu acredito que essa decisão é eminentemente política porque não parte de nenhuma racionalidade econômica. Não é racionalidade econômica porque foi feita ontem, uma vez que os EUA é superavitário em relação à América do Sul como um todo e ao Brasil também”, afirmou.

Os norte-americanos mantêm um superávit de longa data com o Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram mais de US$ 40 bilhões, uma alta de 9,2% em relação a 2023. Apesar do crescimento, o saldo comercial foi favorável aos americanos em mais de US$ 250 milhões.

Em maio, Haddad se encontrou com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Na época, o governo de Donald Trump havia anunciado uma tarifa recíproca de 10% sobre a importação de produtos brasileiros.

De acordo com o ministro da Fazenda, Bessent reconheceu que havia espaço para negociar a taxa então estabelecida, em razão do déficit comercial na relação comercial com o Brasil.

A nova alíquota sobre os produtos brasileiros anunciada na última quarta-feira (9) entra em vigor a partir do dia 1º de agosto.

Haddad atribuiu a decisão dos Estados Unidos de taxar em 50% os produtos brasileiros a uma articulação política dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação do chefe da pasta econômica, Bolsonaro e a sua família estão "conspirando" contra os interesses brasileiros.

“A única explicação plausível para o que vimos ontem é porque a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil com um objetivo específico, que é escapar do processo judicial que está em curso. A única explicação é de caráter político envolvendo a família Bolsonaro”, afirmou o ministro.

Em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente norte-americano Donald Trump afirma que há uma caça às bruxas, ao defender Jair Bolsonaro (PL).

"Quando tem uma força interna trabalhando contra o interesse nacional em proveito do interesse individual, aí você tem problemas. Começa a inventar as teorias da conspiração para justificar o inaceitável, que é o fato de uma pessoa, um brasileiro que presidiu o país, está conspirando contra os interesses nacionais em proveito próprio", disse o ministro.

O ex-chefe do Executivo brasileiro é réu na ação penal do STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga a trama golpista após as eleições de 2022, sendo acusado por cinco crimes.

"É uma agressão que vai ficar marcada. É inaceitável um governo entrar na onde de um político extremista local para atacar o país", disse Haddad.

Após o anúncio da tarifa de 50%, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) sugere que a solução para "evitar um desastre" é a anistia "ampla, geral e irrestrita" e a responsabilização daqueles que "abusaram do poder" - referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Eduardo é investigado no STF por sua atuação nos EUA. O próprio deputado declarou, ao anunciar sua licença do mandato, que a viagem ao território norte-americano tinha o objetivo de denunciar supostos excessos do Judiciário brasileiro contra a direita.

“Como eu acredito que o tiro vai sair pela culatra, isso não pode se sustentar. A extrema direita vai ter que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, que deu um enorme tiro no pé porque está prejudicando o principal estado do país, que é justamente São Paulo. É o suco de laranja de São Paulo. São os aviões produzidos pela Embraer”, afirmou Haddad.

Café, aeronaves e suco de laranja estão entre os produtos que o Brasil mais exportou para os Estados Unidos entre janeiro e junho de 2025.

O ministro da Fazenda também criticou o posicionamento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que responsabilizou Lula pelas tarifas.

“O governador [Tarcísio] errou muito. Ou a pessoa é candidata a presidente ou é candidata a vassalo. Não há espaço no Brasil para vassalagem. Desde 1822, isso acabou. O que está se pretendendo? Ajoelhar diante de uma agressão unilateral sem nenhum fundamento econômico e sem nenhum fundamento político?”, disse Haddad.

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