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Tarifaço de Trump reduz exportações aos EUA em 18%; China absorve parte

Após tarifaço americano, China aumentou em 21% importação de produtos brasileiros e quase dobrou compras de carne bovina

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
Ilustração de uma vaca com as cores da bandeira do Brasil passando por um buraco num muro escrito "tarifaço". Acima a bandeira dos EUA.
Ilustração de uma vaca com as cores da bandeira do Brasil passando por um buraco num muro escrito "tarifaço". Acima a bandeira dos EUA.  • Ilustração gerada por IA
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As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 18,3% nos dois primeiros meses após Donald Trump aplicar tarifas de 50% sobre a importação de diversos produtos brasileiros.

A sobretaxa entrou em vigor no dia 6 de agosto.

Somando agosto e setembro de 2024, o Brasil exportou US$ 6,6 bilhões ao mercado americano, contra US$ 5,4 bilhões nos mesmos meses de 2025 – efeito direto do tarifaço.

Entre os principais produtos brasileiros afetados pelas tarifas, estão:

  • Açúcares e melaços: queda de 82,35%
  • Tabaco: queda de 76,60%
  • Carne bovina: queda de 53,38%
  • Café não torrado: queda de 11,30%

Outros produtos que não foram sobretaxados também registraram quedas expressivas, por questões de mercado e de demanda. É o caso do minério de ferro, que teve uma redução de 99% nas vendas aos Estados Unidos.

As exportações de celulose também caíram mais de 30% no período, produto que, assim como o ferro, não foi afetado pelas tarifas de Trump.

China absorve parte das vendas

As exportações para a China, por outro lado, registraram alta de 21% na soma de agosto e setembro. Foram US$ 17,8 bilhões em vendas aos chineses em 2025, ante US$ 14,7 bilhões no mesmo período de 2024.

No caso da carne bovina, um dos produtos mais afetados pelo tarifaço, as vendas a Pequim quase dobraram, passando de US$ 1,06 bilhão em 2024 para US$ 1,94 bilhão em 2025 nesse período.

A venda de café não torrado para a China – embora ainda pouco expressiva – teve um salto de 163%, chegando a US$ 45 milhões no período.

No caso da carne bovina, o México também ajudou a sustentar a balança do setor, com alta de 250% nas vendas nos dois meses.

Já no caso dos açúcares e melaços, países árabes e do Sudeste Asiático contribuíram para manter o desempenho do setor relativamente estável.

Diversificação de mercados

Quando a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor, o discurso sobre a necessidade de diversificar os destinos das exportações ganhou força tanto no setor privado quanto dentro do governo federal.

Empresários e autoridades argumentam que a diversificação já era um movimento necessário e planejado para todos os setores, mas que as tarifas anteciparam esse processo.

A intenção do Brasil não é substituir integralmente o mercado americano, algo considerado impossível devido à complexidade das cadeias produtivas e ao tamanho do mercado consumidor dos EUA, mas diversificar destinos para minimizar os impactos.

Esses mercados alternativos já vinham sendo mapeados antes mesmo do tarifaço de Donald Trump, o que facilitou o trabalho do governo, que já contava com um cardápio de opções quando a tarifa foi anunciada.

Esse discurso ganha ainda mais relevância para produtos e commodities agrícolas. A diversificação é uma das prioridades do Ministério da Agricultura e Pecuária desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde 2023, foram abertos mais de 400 novos mercados.

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