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Tarifaço já impactou negativamente as exportações brasileiras, diz Fazenda

Brasil quer a suspensão de tarifas adicionais aplicadas pelos EUA já durante a fase de negociação

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Rio Paraná perto de Rosário, Argentina
Grãos são carregados em navios para exportação em um porto do rio Paraná perto de Rosário, Argentina  • 31/01/2017 - REUTERS/Marcos Brindicci
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O Ministério da Fazenda informou que a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já impactou negativamente as exportações brasileiras. A informação consta no boletim Macrofiscal da SPE (Secretaria de Política Econômica), divulgado nesta quinta-feira (13).

De agosto a outubro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram cerca de US$ 2,5 bilhões (24,9%), comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Segundo a pasta, queda interanual das exportações foi se acentuando, atingindo 16,5% em agosto, 19,4% em setembro e 37,9% em outubro.

As tarifas estão em vigor deste agosto. Dentre os produtos com quedas mais acentuadas nas exportações nesses três meses, estão:

  • petróleo bruto: US$ -404 milhões, queda interanual de -30,3%;
  • carne bovina congelada: US$ -165,2 milhões, queda de 60,5%;
  • celulose de eucalipto: US$ -126 milhões, queda de 33,0%;
  • ferro bruto: US$ -119 milhões, queda de 27,8%;
  • açúcar de cana refinado: -91,6%, US$ -111 milhões.

Apesar do cenário, a SPE destaca que as exportações totais brasileiras seguiram crescendo. Em outubro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7 bilhões.

A pasta também menciona que o redirecionamento comercial foi substancial em alguns segmentos. Para a Argentina, destaca-se o crescimento das exportações de automóveis, caminhões-trator, energia elétrica e veículos de carga leve, enquanto para a China, houve aumento nas exportações de soja, carne bovina, petróleo bruto e minério de ferro.

"O impacto das tarifas norte-americanas vem sendo parcialmente compensado pela diversificação de mercados e pelo conjunto de políticas de apoio implementadas, relevantes para sustentar a capacidade produtiva, a geração de empregos e a resiliência do setor exportador, além de amparar as contas externas brasileiras", diz.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, já se encontraram três vezes para negociar o tarifaço, desde que Rubio foi escolhido como o principal negociador das taxas contra os produtos brasileiros. O governo brasileiro quer que as tarifas adicionais sejam suspensas já na fase de negociação.

A iniciativa faz parte do esforço diplomático estabelecido pelo Brasil e EUA durante a primeira reunião bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Malásia em 26 de outubro.

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