Juros futuros fecham em alta após decisão do Copom

Avanço da curva brasileira reflete alta dos rendimentos dos Treasuries e petróleo Brent no exterior

Por Fabricio de Castro, da Reuters
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As taxas dos DIs fecharam nesta quinta-feira (6) em alta, após o Copom (Comitê de Política Monetária) do ​Banco Central ter anunciado na véspera redução de 25 pontos-base da ​Selic, sem se comprometer com um novo corte em setembro.

O avanço da curva brasileira também esteve em sintonia com a elevação dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo Brent no exterior, em mais um dia de apreensão com o cenário geopolítico no Oriente Médio.

 

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,865%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,794% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do ⁠DI para janeiro de 2035 estava em 14,465%, ​com elevação de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,317%.

O Copom reduziu a Selic de 14,25% ​para 14,00% ao ano, como era largamente projetado pelos agentes do mercado, sem se comprometer quanto ao que será feito ⁠na reunião de setembro. O colegiado indicou que continuará acompanhando ⁠a evolução do cenário para só então decidir por um novo corte ou pela manutenção ​da ‌Selic.

No comunicado da reunião, o Copom excluiu o parágrafo do encontro anterior que gerou ruídos no mercado por citar "trajetórias alternativas" ⁠para convergência da inflação à meta -- o que foi visto na época como certa tolerância da instituição com a alta de preços.

"O Copom abandonou a ideia de que há muito espaço para cortar juros. A postura agora é de que ele vai cortar até ‌onde ⁠der", avaliou nesta quinta-feira ‌Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

"O BC foi mais direto e, de fato, não falou o que vai fazer no próximo encontro. O mais provável ainda é que ele faça um pouco mais (de cortes), mas ele vai até onde a ⁠realidade permitir", acrescentou.

O comunicado, também avaliado como mais "neutro" por outras fontes ⁠de mercado consultadas pela Reuters, abriu espaço para certo ajuste de alta na curva brasileira no início do dia, na avaliação de Gino e de ‌um operador de renda fixa.

No entanto, os profissionais também destacaram a forte influência vinda do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries tinham altas firmes e o petróleo Brent subia.

Um dos pontos de atenção era uma reportagem publicada no Financial Times informando que o chair do Fed, Kevin Warsh, pretende manter sua mensagem "enxuta" de política monetária, apesar da reação negativa ‌do mercado na semana passada, quando a instituição seguiu com os juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

Além disso, os sinais no Oriente Médio eram difusos. Enquanto Irã e Omã propuseram um acordo para dar fim à guerra ⁠na região, ainda não houve comentário dos EUA sobre a proposta. Ao mesmo tempo, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico de que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas essenciais em toda a região, ​segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters.

Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia ​6 pontos-base, a 4,676%.

No fim da manhã, o Tesouro brasileiro realizou um leilão robusto de títulos prefixados, no qual vendeu 15,175 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e 2,5 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional -- Série F). O volume grande, conforme um operador, também deu suporte às taxas dos DIs com prazos ‌mais longos.

(Edição de Pedro Fonseca)

 

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