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TCU dá indícios de pressionar BC sobre caso Master, dizem especialistas

Corte iniciou trabalho de inspeção da autoridade monetária para verificar liquidação do Master

Da CNN Brasil
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Nesta sexta-feira (2), o TCU (Tribunal de Contas da União) iniciou um processo de inspeção no Banco Central para verificar a liquidação extrajudicial do Banco Master, informação confirmada à CNN pelo presidente do TCU, Vital do Rêgo.

Especialistas conversaram com o CNN Money sobre a decisão do Tribunal e as possíveis consequências do processo inédito do órgão público sobre o BC.

Murilo Viana, economista da GO Associados, questiona motivações do TCU para a ação e prevê que inspeção pode colocar em xeque a autonomia da autarquia.

"O que acontece com a ação do TCU acende alerta sobre se de fato o TCU deveria atuar da forma como está, há indícios de que está tentando pressionar o Banco Central em relação à autoridade de determinar uma liquidação", afirmou.

"Ao atentar contra o BC na questão da liquidação, gera um problema relacionado à confiança que se tem, tanto internamente quanto do ponto de vista estrangeiro, relacionada à capacidade do BC agir com a determinada celeridade e entregar a liquidação quando necessário", complementou.

Já Hugo Daniel Azevedo, gestor de patrimônio, menciona "situação atípica" de intervenção do STF e do TCU sobre a autoridade monetária e vê de forma negativa uma possível reversão da decisão de liquidar o Banco Master.

"Se isso vem a acontecer, é uma quebra de confiança no sistema, de governança institucional e prejudica muito a confiabilidade e a previsibilidade do sistema financeiro no Brasil", prevê.

Azevedo reforça a ideia de aversão a risco no Brasil caso a interferência impacte diretamente na decisão do Banco Central.

"Como é que você vai fazer investimentos se a regra pode ser mudada de uma hora para outra, simplesmente com uma decisão?", questionou.

Viana, porém, faz questionamentos ao tempo utilizado pelo Banco Central para decretar a liquidação do Banco Master e possíveis tentativas de pressão política contra a medida.

"Em um momento de maior calmaria, deveria ser discutido do ponto de vista do Banco Central se ele não demorou demais a agir. Mas há indícios de que parte dessa possível demora veio por pressões políticas", adicionou.

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