Tesouro estima ser preciso superávit de 0,1% do PIB para estabilizar dívida

Em 2025, a Dívida Pública Federal subiu 18%, chegando a R$ 8,635 trilhões

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, estima ser necessário um superávit primário de 0,5% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto) para iniciar o processo de estabilização da dívida pública. Em 2025, a Dívida Pública Federal subiu 18%, chegando a R$ 8,635 trilhões.

"Quando alcançar 0,5% de superávit, a dinâmica da dívida começa a ficar mais marginal", declarou a jornalistas nesta quinta-feira (29).

Para 2026, a meta fiscal é de um superávit de 0,25% do PIB, ou seja, de R$ 34,3 bilhões. O subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde, estima que será necessário excluir cerca de R$ 62,5 bilhões do resultado primário para cumprir a meta fiscal.

No ano passado, o governo Lula registrou déficit de R$ 13 bilhões, ao excluir as despesas excepcionais do cálculo da meta fiscal. Segundo Ceron, o crescimento das despesas com benefícios previdenciários e BPC (Benefício de Prestação Continuada) preocupam a equipe econômica.

A despesa total do Brasil em 2025 bateu R$ 2,426 trilhões, alta de 3,4% na comparação ao ano anterior. De janeiro a dezembro, os gastos do governo com benefícios previdenciários subiram 4,1%, enquanto as despesas aumentaram 9,1%.

"O país está em um patamar saudável em quase todas as frentes. Se você olhar crescimento econômico, mercado de trabalho, índice de pobreza, inflação. O Brasil está balanceado. Precisamos garantir que continue em processo de recuperação para não ser uma fonte de desequilíbrio disso tudo", declarou Ceron.

Já no horizonte de 2027, Ceron considera que o cenário apresenta fatores estruturais positivos, como o fim do aumento da complementação da União ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e o encerramento das compensações da chamada “tese do século”. O secretário do Tesouro calcula que a saída dessas despesas do resultado primário deve provocar alívio de 0,4% do PIB.

Ceron também evitou comentar uma possível nomeação para a Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda. Com a saída de Fernando Haddad da pasta, o atual secretário do Tesouro Nacional é o mais cotado para assumir a função de número 2 do órgão.

“Estou feliz com o ciclo que concluí no Tesouro, e estou à disposição para continuar ajudando, seja no Tesouro seja na posição que o presidente da República e o ministro da Fazenda acharem mais adequado”, disse.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais