Trabalhadores dos Correios resistem à proposta e mantêm indicativo de greve

Mediação pré-processual está sendo conduzida no âmbito do TST; caso pode ir a dissídio

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Caminhão do Sedex, serviço dos Correios  • Fernando Frazão/Agência Brasil
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A negociação pré-processual entre os Correios e os funcionários, no âmbito do TST (Tribunal Superior do Trabalho), corre o risco de entrar em dissídio — termo jurídico para conflito ou divergência entre empregado e empregador. A proposta foi submetida à apreciação dos trabalhadores em assembleia na última terça-feira (23).

Durante a mediação, os Correios apresentaram uma proposta a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). 

No entanto, segundo fontes ouvidas pela reportagem, a proposta tem sofrido resistências da  Fentect. A CNN apurou que os pontos apresentados pelos Correios receberam aceitação da maior parte dos trabalhadores. No entanto, a federação discorda dos termos propostos, o que inviabiliza o acordo.

Sem acordo, o processo entra em dissídio, o que pode acarretar na perda de concessões já acordadas com os Correios durante a negociação. A federação mantém o indicativo de greve. 

“Depois de mais de cinco meses de negociação, diálogo e paciência, a empresa segue intransigente e insiste em jogar nas costas dos trabalhadores a conta da má administração, apresentando propostas que retiram direitos e atacam nossa dignidade”, disse a Fentect em publicação nas redes sociais na última terça (23). 

Já a Findect informou que nenhum acordo será fechado sem a decisão soberana da categoria. “Cada direito preservado até aqui é fruto da organização, da unidade e da luta coletiva, que seguem sendo fundamentais neste momento decisivo”, declarou em comunicado.

Diante da possibilidade de paralisação, o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, convocou ministros integrantes da Seção Especializada em Dissídios Coletivos para que fiquem de prontidão, caso seja necessária a realização de julgamento imediato, mesmo durante o recesso de fim de ano.

A Seção de Dissídios Coletivos julga questões trabalhistas complexas, como greves, acordos e convenções coletivas, tendo o poder de criar normas para reger relações de trabalho quando há conflitos coletivos, buscando a pacificação entre capital e trabalho.

A CNN entrou em contato com a Fentect por e-mail e por telefone, mas não recebeu respostas até a publicação deste texto. O espaço segue aberto. 

A reportagem também procurou os Correios e aguarda posicionamento. 

Proposta dos Correios

Entre as propostas apresentadas, está recomposição salarial de 5,13%, a contar de janeiro, com pagamento a partir de abril de 2026. O pagamento deve considerar o retroativo de janeiro a março de 2026. A partir de agosto do ano que vem, os salários devem ser corrigidos com 100% do  INPC (Índice de preços ao consumidor).

Além disso, a proposta prevê a assinatura imediata do Acordo Coletivo de Trabalho, com a renovação de 79 cláusulas, com exclusão dos parágrafos que dispõem sobre o “ticket” mensal adicional (vale refeição/alimentação).

Situação financeira

No primeiro semestre, a estatal registrou um prejuízo de R$ 4,3 bilhões, três vezes maior do que o resultado do mesmo período de 2024, quando o balanço havia ficado em R$ 1,3 bilhão no vermelho.

Diante da sua situação financeira, os Correios apresentaram um plano de reestruturação para garantir a estabilidade da empresa nos próximos 12 meses. Entre as medidas previstas, estão um programa de demissão voluntária, remodelagem dos planos de saúde dos funcionários remanescentes e venda de imóveis.

O Tesouro Nacional aprovou uma operação de crédito de até R$ 12 bilhões para os Correios, com taxa de juros de 115% do custo de captação. Apesar do valor total autorizado, a estatal só poderá utilizar R$ 5,8 bilhões em 2025, limite equivalente ao déficit primário neste o ano.

A operação foi estruturada com um conjunto de cinco instituições financeiras, sendo três privadas e duas públicas, e respeitou o teto de juros definido pelo Tesouro para financiamentos com garantia da União de 120% do CDI.

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