Transporte no rio Paraguai pode parar em 15 dias, diz Hidrovias do Brasil
CEO da empresa afirma que a morosidade na realização de dragagens causa prejuízos durante o período de seca

O transporte de cargas no rio Paraguai pode ser interrompido nos próximos 15 dias por causa da falta de água. Apesar do cenário, o impacto financeiro começa antes da interrupção total, com a redução no volume transportado pelas barcaças, disse o CEO da Hidrovias do Brasil, Décio Amaral, nesta quarta-feira (22).
“Nós estamos com risco de novo de interromper as operações no Paraguai daqui a 15 dias. Em 10 dias, reduziu em 70% o nível da água”, disse Décio Amaral no evento “Infraestrutura em movimento: desafios para transformar o Brasil”, realizado pelo MoveInfra.
Segundo o executivo, o problema poderia ser evitado com maior agilidade na realização de dragagens - processo em que há a retirada de sedimentos do fundo do rio para permitir a passagem de embarcações.
“O dano começa antes da gente interromper. Quando o calado cai, eu só consigo carregar 75% da barcaça, 50% da barcaça. O impacto começa muito antes da interrupção”, afirmou Amaral.
Atualmente, as dragagens são realizadas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Com a concessão de hidrovias, esse processo passará a ser realizado pela concessionária.
De acordo com Décio Amaral, a morosidade no processo pelo Dnit impacta diretamente as operações, já que, quando há a liberação das licenças para iniciar a dragagem, o nível da água do rio já voltou a subir.
“Quando o rio cai, cai muito rápido. O setor privado quer ajudar. A gente tem discutido com convênio com o Dnit, em que o setor privado poderia em situações de emergência assumir a dragagem”, disse Amaral.


