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    Troca na Petrobras não deve alterar política de preços da estatal, avaliam especialistas

    Indicações para o comando da estatal foram anunciadas na noite desta segunda-feira pelo Ministério de Minas e Energia

    Esta é a segunda mudança no comando do cargo da estatal durante o governo de Bolsonaro
    Esta é a segunda mudança no comando do cargo da estatal durante o governo de Bolsonaro Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Pedro Zanattado CNN Brasil Business Em São Paulo

    As mudanças no comando da Petrobras, anunciadas nesta segunda-feira (28) pelo Ministério de Minas e Energia, não devem provocar alterações significativas na política da empresa e nem nos preços dos combustíveis, segundo especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business.

    O economista Adriano Pires foi apontado pelo governo federal para substituir o atual presidente da estatal, o general do Exército Joaquim Silva e Luna. Já Rodolfo Landim foi indicado para a presidência do Conselho de Administração.

    Para o economista-chefe da Ryo Asset, Gabriel Barros, a troca em si não é o motivo de receio para o mercado. “A apreensão ocorre em relação às condições que o novo presidente irá trabalhar”, afirma.

    A troca da presidência da empresa ocorre em meio à escalada do preço do petróleo no mundo e, com ela, dos combustíveis comercializados pela Petrobras no Brasil. O aumento dos preços e a disseminação inflacionária provocada pelos combustíveis têm incomodado o Palácio do Planalto.

    “O mercado está preocupado se a alteração será apenas uma sinalização política de Bolsonaro para sua base, ou seja, uma troca nada substancial, ou se, de fato, deve haver uma mudança estrutural na estatal”, avalia Barros.

    O economista-chefe do banco ModalMais, Álvaro Bandeira, também diz não ver grandes alterações com a mudança de comando na estatal. “O problema dos preços de derivados de petróleo é um problema mundial, diante da guerra, do fornecimento de energia, de óleo e da taxa cambial que afeta o Brasil”, diz.

    Bandeira vê a alta rotatividade de presidentes como um fator negativo para uma empresa do porte da Petrobras. “Espera-se que a diretoria, a presidência e os programas de longo prazo sejam exercidos de maneira correta”.

    Esta é a segunda mudança no comando do cargo da estatal durante o governo de Bolsonaro. A primeira troca ocorreu em fevereiro do ano passado, quando o chefe do executivo dispensou o então presidente da estatal, Roberto Castello Branco em outro contexto de reajustes nos combustíveis.

    Adriano Pires já foi superintendente geral e assessor de diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), professor na UFRJ e é fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), em que atua desde 2000 como diretor.

    Já Landim é mais conhecido por comandar o Clube Regatas do Flamengo, porém, tem ampla experiência no setor de óleo e gás. Ocupou cargos de gestão na Petrobras por 26 anos, incluindo a presidência da Gaspetro e da BR Distribuidora

    Sobre o novo indicado para assumir o cargo, Bandeira destaca o perfil técnico de Pires para a presidência da estatal.

    Para Gabriel Barros, tanto o nome de Pires quanto o de Landim são positivos “por se tratar de pessoas técnicas e especialistas no setor”.

    Justamente por ter essas características, Barros observa que “ambos possuem uma reputação e isso é importante, pois minimiza o risco de que eles coloquem sua credibilidade em jogo para promover mudanças muito heterodoxas na companhia”.

    Sobre a repercussão no mercado, os especialistas dizem que os investidores podem reagir negativamente nesta terça-feira (29), por conta das incertezas que ainda devem continuar. Na avaliação de Barros, o mercado deve aguardar a “primeira fala pública”.

    O último reajuste nos preços dos combustíveis pela Petrobras ocorreu no dia 10 de março, quando a estatal elevou o preço da gasolina em 18% e, do diesel, em 25% nas refinarias, depois de 57 dias sem alterações.

    Os nomes indicados nesta segunda-feira apenas passarão a valer na próxima assembleia dos acionistas, marcada para o dia 13 de abril.

    Em entrevista à CNN, na noite desta segunda-feira (28), a economista e professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP Virginia Parente falou sobre os impactos sobre os impactos causados pela troca da presidência da Petrobras.

    “Não tem milagre, não é a troca do presidente que vai mudar a conjuntura internacional do preço do petróleo e tampouco vai mudar nossa desvalorização cambial. E o petróleo é uma commodity cotada em dólar”, disse.

    A especialista acrescentou ainda que a empresa não deverá ser influenciada completamente por políticas coordenadas pelo governo.

    “Existe uma comodidade muito grande porque a Petrobras é uma empresa.com, não é uma empresa do governo; é uma empresa onde o governo é majoritário, mas há minoritários importantes no governo da empresa. Não é possível que um dos sócios – ainda que majoritário – leve a governança toda dentro do seu interesse.

    *Colaboração de Anna Gabriela Costa, da CNN