Trump ordena que Pentágono compre eletricidade de usinas a carvão

Segundo comunicado da Casa Branca, fontes de energia intermitentes, como a eólica e a solar, são pouco confiáveis ​​em condições climáticas extremas

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, em São Paulo
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (11) uma Ordem Executiva determinando que o Departamento de Guerra priorize contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs, na sigla em inglês) com o parque gerador a carvão do país.

A medida busca assegurar fornecimento de energia de base “ininterrupta e sob demanda” para instalações militares e outras estruturas consideradas críticas para a defesa americana.

A ordem orienta o secretário de guerra, em coordenação com o secretário de energia, a aprovar contratos voltados ao atendimento das unidades do Departamento de Guerra e de outras instalações de missão crítica.

Segundo um anúncio da Casa Branca, terão prioridade projetos que reforcem a confiabilidade do sistema elétrico e a prevenção de apagões, ampliem a segurança do abastecimento de combustível no local e garantam a continuidade de missões estratégicas, incluindo capacidades de defesa e inteligência.

Em comunicado, o governo americano afirma que energia de base e uma rede elétrica confiável são essenciais para manter em funcionamento instalações militares, operações, a produção da indústria de defesa e, em última instância, “a segurança do povo americano”.

“É imprescindível que o Departamento de Guerra utilize estrategicamente os vastos recursos de carvão dos Estados Unidos, que comprovadamente fornecem energia de base contínua e sob demanda”, diz o texto divulgado pela Casa Branca.

O comunicado também reforça a crítica do governo a fontes renováveis intermitentes. Segundo o texto, tecnologias como eólica e solar seriam pouco confiáveis em condições climáticas extremas, o que deixaria a rede elétrica e instalações de defesa vulneráveis a interrupções no fornecimento.

A decisão amplia uma agenda já anunciada no início do segundo mandato de Trump. Em abril de 2025, o presidente assinou decretos executivos para classificar o carvão como mineral estratégico, remover barreiras à mineração em terras federais e flexibilizar regras ambientais impostas durante o governo Joe Biden a determinadas termelétricas a carvão.

De acordo com a Casa Branca, essas ações evitaram o fechamento de 17 gigawatts (GW) de capacidade instalada a carvão e estimularam novos investimentos e projetos para expansão da geração de base considerada “acessível” em diferentes regiões do país.

A movimentação ocorre em um momento em que o carvão segue relevante no cenário global, apesar do avanço das renováveis e do gás natural. O combustível ainda responde por pouco mais de um terço da geração mundial de eletricidade, embora seja o fóssil com maior intensidade de carbono, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).

A AIE projeta que a demanda global por carvão deve permanecer estável em 2025 e 2026. Apesar de movimentos atípicos em mercados relevantes no primeiro semestre de 2025, a agência avalia que o consumo global tende a se manter praticamente inalterado até 2027.

A Ordem Executiva assinada nesta terça-feira reforça a estratégia do governo Trump de usar a política energética como instrumento de segurança nacional, colocando a confiabilidade do suprimento como prioridade e recolocando o carvão no centro das decisões de contratação pública, mesmo diante das pressões climáticas e da tendência de descarbonização observada em boa parte das economias desenvolvidas.

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