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Trump teve interações comerciais construtivas com Lula, diz Casa Branca

Representante comercial dos EUA, Jamieson Greer confirmou contato entre os dois presidentes e diz que espera relação comercial melhor com o Brasil

Da Reuters
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia26/10/2025  • REUTERS/Evelyn Hockstein
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O presidente dos EUA, Donald Trump, teve "diversas interações muito construtivas" sobre questões comerciais com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, nesta quarta-feira (10).

Greer disse em um evento organizado pelo Atlantic Council que os EUA gostariam de ter uma relação comercial melhor com o Brasil, mas que isso exigiria concessões de ambos os lados.

"Gostaríamos de ter algum tipo de acordo com o Brasil em breve. Pode não resolver todos os problemas, mas há coisas que eles podem fazer. Eles parecem ser parceiros bastante dispostos", declarou. "É claro que é preciso que ambos os lados estejam dispostos a fazer concessões", frisou.

Ele destacou que o país latino-americano parece ser um parceiro disposto.

Greer não deu mais detalhes sobre o cronograma ou o escopo de um possível acordo comercial entre os dois países.

As relações entre os dois países melhoraram nos últimos meses, depois que Trump removeu, no mês passado, as tarifas de 40% sobre diversos produtos alimentícios brasileiros, incluindo café, cacau e frutas, mantendo, porém, uma tarifa base de 10%. Em agosto, o republicano anunciou o aumento das tarifas para punir o Brasil pela perseguição judicial contra o ex-presidente de direita Jair Bolsonaro, aliado de Trump e rival de Lula.

Greer afirmou que o Brasil tem sido historicamente um parceiro comercial importante e desafiador, observando que as ações americanas relacionadas às tarifas e políticas não tarifárias brasileiras são parte de uma investigação sobre as supostas práticas comerciais "desleais" do país.

Essas práticas incluem o desmatamento ilegal da Amazônia, que, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), prejudica a competitividade dos produtores de madeira americanos, e o que descreve como "tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a concorrentes americanos".

Trump conversou com Lula sobre comércio, economia e combate ao crime organizado em um telefonema na semana passada, e Lula afirmou posteriormente que esperava novas reduções nas tarifas.

Além disso, Trump tinha preocupações não relacionadas ao comércio sobre o que ele considera a instrumentalização do sistema jurídico e judicial no Brasil, disse Greer.

Na terça-feira (9), Lula afirmou ter dito a Trump que, se os EUA quisessem ajudar no combate ao crime organizado no Brasil, o governo Trump deveria prender um empresário brasileiro que mora em Miami, identificado por Lula apenas como o maior devedor do país e "um dos chefões do crime organizado brasileiro".

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