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"Tudo muda a cada 24h", diz Haddad sobre tarifaço de Trump

Segundo o ministro, não há como fazer uma "avaliação criteriosa"

Cristiane Noberto, da CNN, em Brasília
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad  • Brasília (DF) 20/12/2024 - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que ainda não é possível fazer uma avaliação criteriosa sobre o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, destacando a instabilidade do cenário internacional.

“Como as coisas mudam a cada 24h, não há diretriz clara, as pessoas com muita insegurança sobre o que está acontecendo no governo dos EUA, há pouca forma de fazer uma avaliação criteriosa. Qualquer coisa que eu fale pode mudar amanhã”, disse a jornalistas nesta quinta-feira (10).

Diante da imprevisibilidade, o governo brasileiro optou por manter os canais diplomáticos abertos e adotar uma postura de cautela nas tratativas. Haddad explicou que as conversas com os Estados Unidos estão em curso, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recomendou “muita prudência”.

“Os canais diplomáticos estão abertos, e as conversas com o governo dos Estados Unidos estão acontecendo. A América do Sul teve um tratamento diferenciado na proposta da semana passada. Esta semana, as coisas mudaram de novo: a tarifa mais alta ficou valendo apenas para a China. Então, temos que aguardar um posicionamento final para saber como proceder”, pontuou.

Trump anunciou na quarta-feira (9) uma reviravolta em sua política comercial, limitando as tarifas recíprocas a 10% por um prazo de 90 dias. A decisão, no entanto, não se aplica à China, que enfrentará tarifas elevadas a 125%.

A política de sobretaxas começou em março e as autoridades diplomáticas e técnicos de comércio exterior do Brasil têm tentado negociar constantemente com os norte-americanos a revisão das tarifas há várias semanas.

“Nós temos relações históricas com os Estados Unidos. Em relação ao Brasil, o que aconteceu já faz parte da boa diplomacia. Estamos aumentando o comércio exterior com os três grandes blocos e com outros países. Não se trata só de commodities, também estamos falando de bens e serviços”, frisou Haddad.

Mesmo assim, o ministro afirmou que há esforços para ampliar a aproximação com a Europa, cujo tratado União Europeia-Mercosul pode ganhar mais tração nos próximos dias, e que estreitou os laços com a França e, em breve, deve ter uma agenda na Alemanha.

O chefe da equipe econômica reforçou que o Brasil busca uma política externa baseada no multilateralismo, princípio defendido por Lula desde o início do governo.

“Sempre deixamos claro aos Estados Unidos que, pela nossa dimensão, o Brasil não pode ser visto como um anexo de um dos blocos. Temos comércio crescente com todos eles”, disse.

Segundo Haddad, essa estratégia tem sido o “mantra do presidente Lula”.

Ele afirmou que, mesmo na reunião da CELAC, o presidente insistiu que a saída para os desafios globais não é o fechamento, mas o alargamento de horizontes por meio de medidas multilaterais.

“Não é uma mudança de postura da diplomacia brasileira. É um princípio que rege este governo e rompe com a lógica de ter que escolher parceiros. Não há razão para isso.”

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