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    UE não chega a acordo sobre sanções a petróleo russo e discussões continuam

    Indefinição de reunião fez preços do petróleo dispararem acima de US$ 120 o barril nesta segunda, o maior nível em mais de dois meses

    Anna CoobanJames Fraterdo CNN Business em Londres

    A frente unida da Europa contra Moscou está sendo posta à prova enquanto os países lutam para chegar a um acordo sobre a proibição das importações de petróleo russo.

    Diplomatas da União Europeia não conseguiram chegar a um consenso no último domingo (29) sobre os termos do embargo, mas estão mantendo novas negociações nesta segunda-feira (30) em uma tentativa de apresentar um acordo para aprovação pelos líderes da UE em uma cúpula no final do dia.

    Um diplomata sênior da UE disse à CNN internacional que o bloco estava “na última etapa” de concordar com os termos de um embargo de petróleo, mas precisava de mais tempo para convencer alguns Estados-membros, incluindo a Hungria, a aderir.

    “Entendemos a situação especial, entendemos o problema de segurança de abastecimento, entendemos a busca por garantias para poder resolver isso”, disse o diplomata.

    Autoridades europeias propuseram pela primeira vez juntar-se aos Estados Unidos e outros na proibição do petróleo da Rússia há um mês, como parte de um sexto pacote de sanções da UE pela invasão da Ucrânia pelo país.

    Mas um acordo foi impedido pela relutância de alguns países que são particularmente dependentes do petróleo russo, entregue via gasoduto.

    Os líderes da UE podem concordar em proibir todo o petróleo russo até o final deste ano, mas devem fornecer uma isenção temporária para importações via gasoduto, de acordo com um esboço das conclusões da cúpula visto pela Reuters.

    Um funcionário da UE disse à CNN que a proibição de todo o petróleo marítimo cobriria mais de dois terços das importações da Rússia.

    A Europa é o maior comprador de energia russa. O petróleo russo representou 27% das importações do bloco em 2021, segundo o Eurostat.

    Isso é cerca de 2,4 milhões de barris por dia, mostrou a Agência Internacional de Energia, dos quais cerca de 35% foi entregue via dutos para o bloco.

    Mas as entregas por oleodutos representaram uma parcela muito maior dos embarques de petróleo russos para a Hungria (86%), República Tcheca (97%) e Eslováquia (100%).

    No início deste mês, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, comparou as propostas da UE para uma proibição completa do petróleo russo a uma “bomba atômica” para a economia de seu país.

    Seu governo havia dito anteriormente que precisaria de um mínimo de três a cinco anos para cessar todas as importações.

    Deve-se tomar cuidado, no entanto, para garantir que quaisquer isenções não beneficiem injustamente alguns países em detrimento de outros, disse o diplomata sênior da UE à CNN.

    “Temos que ser muito cuidadosos no texto das sanções legais, que preservemos o mercado interno da UE em todos os lugares e que preservemos as condições de concorrência equitativas”, disse o diplomata.

    Até agora, a Europa manteve uma frente unida contra a Rússia sobre a guerra na Ucrânia, impondo rodadas e mais rodadas de sanções econômicas, que incluíram um embargo de suas importações de carvão.

    Também pretende reduzir as importações de gás natural russo em 66% até o final deste ano.

    Mas as rachaduras começaram a aparecer nas últimas semanas, à medida que a inflação crescente e o crescimento lento atingem as economias da Europa.

    “Estou muito preocupado com o que uma recessão na Europa faria com a determinação europeia de continuar com ela e continuar a escalar as sanções”, disse Jason Furman, professor de Harvard que anteriormente atuou como principal conselheiro econômico do presidente Barack Obama, à CNN Business no Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada.

    Barril sobe acima de US$ 120 antes de reunião sobre sanções

    Os preços do petróleo subiram acima de US$ 120 o barril nesta segunda, alcançando o maior nível em mais de dois meses, enquanto traders esperavam para ver se a reunião da UE chegaria a um acordo sobre a proibição das importações de petróleo russo.

    O contrato futuro de petróleo Brent para julho, que expira na próxima terça-feira, subia US$ 0,80, ou 0,67%, a US$ 120,23 o barril às 08h25 (horário de Brasília).

    O contrato do Brent para agosto, que está mais ativo, subiu US$ 0,74, ou 0,6%, para US$ 116,30 o barril.

    Os contratos futuros de petróleo do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA saltaram US$ 0,86, ou 0,75%, para US$ 115,93 por barril, estendendo os ganhos sólidos obtidos na semana passada.

    “O cenário macro continua mudando e isso determinará o quanto a demanda por petróleo melhorará nos próximos 12 meses”, disse Edward Moya, analista sênior de mercado da OANDA.

    “A geopolítica ainda é importante, mas muito do impacto da Europa diminuindo sua dependência da energia russa foi precificado.”

    — Julia Horowitz contribuiu com esta reportagem; com informações de Reuters

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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