Unilever testa semana de trabalho de quatro dias na Nova Zelândia

O teste vai durar um ano e os 81 funcionários da Unilever na Nova Zelândia terão permissão para trabalhar em horários compactos com pagamento

Michelle Toh,
Nova Zelândia Auckland
  • Foto: Dan Freeman/Unsplash
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A Unilever se tornou a última grande empresa a embarcar no movimento em prol da semana de trabalho de quatro dias, dando crédito à ideia de que o trabalho flexível veio para ficar.

Na terça-feira (1), a gigante global, que no país é responsável pela distribuição de produtos como o chá Lipton's, o sabonete Dove e o sorvete Ben & Jerry's, entre outras, anunciou que testaria menos horas de trabalho para todos os seus funcionários na Nova Zelândia. Os colaboradores poderão decidir quais quatro dias preferem trabalhar por semana.

O teste começa neste mês e vai durar um ano. Os 81 funcionários da Unilever na Nova Zelândia terão permissão para trabalhar em horários compactos com pagamento integral e terão seu progresso monitorado pela Universidade de Tecnologia de Sidney, na Austrália.

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A Unilever disse que, se tudo correr bem, vai considerar se deve mudar seu fluxo de trabalho em uma escala mais ampla.

“Esperamos que o teste faça a Unilever ser a primeira empresa global a adotar formas de trabalho que proporcionem benefícios tangíveis para funcionários e empresas”, afirmou Nick Bangs, diretor-gerente da Unilever Nova Zelândia, em um comunicado.

“Este é um momento empolgante para nossa equipe e uma validação do papel catalizador que a Covid-19 desempenhou em sacudir as práticas regulares de trabalho”.

A Unilever não é a primeira empresa a adotar a prática na Nova Zelândia. Em 2018, a empresa local Perpetual Guardian, que ajuda os clientes a administrar seus heranças e propriedades, também realizou teste de dois meses do conceito. A empresa disse que teve tanto sucesso que mais tarde decidiu torná-lo permanente.

Bangs disse que sua equipe foi inspirada pelas descobertas daquele estudo de caso e começou a “acreditar que as velhas formas de trabalhar estão desatualizadas”.

Até a líder da Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern, opinou que a ideia pode ajudar na recuperação econômica do país após os efeitos da pandemia do coronavírus.

Em maio, Ardern compartilhou a sugestão enquanto discutia maneiras de reviver o turismo doméstico em seu país. Segundo a primeira-ministra, embora as empresas tenham seu próprio arbítrio para tomar tais decisões, a ideia tem mérito porque pode dar aos viajantes domésticos “flexibilidade em termos de viagens e férias”.

Grandes empresas em outros países também estão começando a aderir à tendência. No ano passado, a equipe da Microsoft no Japão fez experiências fechando seus escritórios todas as sextas-feiras em agosto e dando a todos os funcionários um dia de folga extra a cada semana.

Os resultados foram promissores: embora a quantidade de tempo gasto no trabalho tenha sido reduzida drasticamente, a produtividade (medida pelas vendas por colaborador) aumentou quase 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Como resultado, a Microsoft anunciou que seguiria com outro experimento no Japão e convidou outras empresas a aderir à iniciativa.

As semanas de trabalho de quatro dias têm sido apontadas como uma forma de melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Algumas empresas começaram recentemente a experimentá-la para ajudar a combater o esgotamento causado pelos desafios profissionais durante a pandemia.

Outras companhias tendem ao trabalho remoto por motivos semelhantes. Na terça-feira (1), a empresa japonesa Nomura Holdings divulgou que estava considerando a introdução de um novo arranjo que permitiria aos trabalhadores ficarem fora do escritório até 60% do tempo a cada mês.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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