Veja como algumas empresas estão lidando com alta de preços devido à guerra

Guerra entre EUA e Israel contra o Irã afetou globalmente os preços dos combustíveis e as cadeias de suprimentos

Elisabeth Buchwald, da CNN
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Diante de semanas de pressão sobre os preços dos combustíveis e as cadeias de suprimentos devido à guerra no Oriente Médio, algumas empresas estão começando a repassar esses custos aos consumidores por meio de novas taxas — ou por meio de outras mudanças também.

“As empresas tendem a buscar primeiro maneiras de aproveitar o que já possuem, como embalar mais itens em cada remessa ou combinar pedidos em uma única entrega”, apontou Rahul Shahani, sócio da McKinsey e líder da prática de cadeia de suprimentos da empresa na América do Norte. “Com o tempo, esses custos mais altos podem se manifestar de maneiras sutis, como valores mínimos mais altos para frete grátis, menos descontos, embalagens menores ou entregas mais lentas”, continuou.

O combustível de aviação é um dos maiores insumos para as companhias aéreas, representando cerca de 25% dos custos. Nos Estados Unidos, o preço subiu 95% desde o início da guerra, de acordo com o Índice de Combustível de Aviação dos EUA da Argus, publicado pela Airlines for America. Além disso, devido ao fechamento de alguns aeroportos no Oriente Médio, algumas companhias aéreas estão tendo que usar rotas mais longas, o que exige mais combustível.

“A realidade é que os preços do combustível de aviação mais que dobraram nas últimas três semanas. Se os preços se mantiverem nesse patamar, isso significará uma despesa extra de US$ 11 bilhões ao ano apenas com combustível de aviação”, compartilhou o CEO da United Airlines, Scott Kirby, em um comunicado aos funcionários em 20 de março. “Para se ter uma ideia, no melhor ano da United, lucramos menos de US$ 5 bilhões”, acrescentou.

Abaixo, veja as posturas adotadas por algumas empresas para lidar com a crise.

Amazon

A Amazon anunciou uma sobretaxa temporária de 3,5% relacionada a combustível e logística para vendedores terceirizados que utilizam os serviços de envio e devolução da empresa, que entrará em vigor ainda este mês. A Amazon afirmou no ano passado que esses vendedores enviaram mais de 80 bilhões de produtos usando os serviços de logística da companhia.

Um porta-voz da empresa não especificou quais critérios precisariam ser atendidos para que a sobretaxa pudesse ser removida, mas destacou que ela permaneceria em vigor por tempo indeterminado.

Para compensar essa sobretaxa, alguns vendedores podem optar por aumentar os preços. No entanto, os compradores no site não estão sendo afetados diretamente por uma sobretaxa de combustível até o momento.

Delta

Seguindo o exemplo de outras companhias aéreas, a Delta anunciou nesta terça-feira (7) um aumento de US$ 10 no preço do despacho da primeira e da segunda bagagem, elevando o valor para US$ 45 e US$ 55, respectivamente.

“Essas atualizações fazem parte da revisão contínua de preços da Delta e refletem o impacto das condições globais e da dinâmica do setor”, sinalizou um porta-voz da Delta em um comunicado à CNN.

JetBlue

A companhia aérea anunciou na semana passada que aumentaria as taxas para bagagem despachada.

As taxas aumentaram entre US$ 4 e US$ 9, dependendo do voo, de acordo com o site da empresa. Por exemplo, o custo de uma bagagem despachada aumentou de US$ 35 para US$ 39 em períodos de baixa temporada e de US$ 40 para US$ 49 em voos durante períodos de alta temporada, que normalmente ocorrem em feriados e durante o verão.

Um porta-voz da JetBlue atribuiu a cobrança diretamente ao “aumento dos custos operacionais”. A inclusão da taxa para um serviço opcional impede a companhia aérea de aumentar as tarifas gerais, afirmou um porta-voz à CNN em um comunicado. O porta-voz não indicou se a taxa será temporária.

United Airlines

Assim como a JetBlue, a United Airlines anunciou que aumentará o custo da bagagem despachada. A partir de 3 de abril, a companhia aérea começou a cobrar US$ 10 extras pelo despacho da primeira e da segunda bagagem, elevando o preço para US$ 45 para a primeira e US$ 55 para a segunda, se a compra for feita online 24 horas antes do voo.

USPS

O Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) anunciou em 25 de março a implementação da primeira sobretaxa de combustível para encomendas, alegando aumento nos custos de transporte.

A sobretaxa de 8% é temporária e se aplicará apenas a encomendas, não a cartas, de acordo com um comunicado de imprensa do USPS. A taxa passa a vigorar a partir de 26 de abril.

O USPS afirmou que a sobretaxa permanecerá em vigor até pelo menos 17 de janeiro de 2027, data em que "o Serviço Postal poderá determinar se uma abordagem diferente a longo prazo é necessária", conforme o website do Serviço Postal dos EUA.

UPS, FedEx e outras transportadoras

Mesmo antes da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, a UPS, a FedEx e outras grandes empresas de transporte já tinham cobranças automáticas de combustível que entravam em vigor quando os preços do combustível atingiam um determinado limite.

Por exemplo, uma sobretaxa de combustível de 21,5% é aplicada às entregas da FedEx Ground e entregas residenciais quando o preço do diesel atinge pelo menos US$ 3,55 por galão. Em 6 de abril, a FedEx cobrava uma sobretaxa de 26,5%, com base na média nacional do preço do galão de diesel na semana anterior, conforme divulgado pela Administração de Informação de Energia dos EUA.

Empresas de transporte como a Maersk também adicionaram taxas extras não apenas para compensar os preços do petróleo, mas também os custos mais altos envolvidos na obtenção do combustível e na cobertura de rotas mais longas, especialmente em partes do Oriente Médio.

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