EUA: Vendas no varejo tem maior ganho em 3 anos com alta da gasolina
Resultado veio acima da expectativa da FactSet, que previa alta de 1,6%

Em março, os norte-americanos viram grande parte de seus orçamentos serem consumidos pela disparada dos preços da gasolina; no entanto, os consumidores ainda tinham dinheiro sobrando para gastar em outras coisas.
Um aumento acentuado nos preços da gasolina, impulsionado pela guerra, fez com que as vendas no varejo dos EUA subissem 1,7% em março, o ritmo mensal mais rápido em mais de três anos, de acordo com dados do Departamento de Comércio divulgados na terça-feira (21).
O ritmo de vendas em março representou uma forte alta em relação ao aumento de 0,7% registrado em fevereiro.
Os dados de vendas no varejo são ajustados para variações sazonais, mas não para a inflação, que disparou em março em 0,9% (o triplo da taxa de fevereiro), segundo o último CPI (Índice de Preços ao Consumidor).
Os preços da gasolina dispararam no mês passado em consequência da guerra com o Irã e do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, um canal crucial para o transporte de um quinto do petróleo mundial. Os economistas já haviam considerado esse aumento em suas estimativas de uma alta mensal de 1,6%.
O alto preço dos combustíveis teve um papel preponderante no relatório divulgado na terça-feira. As vendas nos postos de gasolina registraram um aumento de 15,5% em março em comparação com o mês anterior.
Excluindo os postos de gasolina, as vendas no varejo aumentaram 0,6% no mês passado, um pouco menos do que o aumento de 0,7% observado em fevereiro para essa categoria comparável.
Esses aumentos nos gastos foram generalizados e até expressivos em alguns casos: as vendas em lojas de móveis e artigos para o lar, por exemplo, cresceram 2,2%.
Os gastos em outras áreas discricionárias, como eletrônicos e materiais de construção, também se mantiveram estáveis – indicando a disposição dos consumidores em gastar, bem como a influência dos reembolsos de impostos, disse Gary Schlossberg, estrategista global do Wells Fargo Investment Institute.
“A pressão sobre os orçamentos familiares está sendo amenizada, por enquanto, por aumentos consideráveis nos reembolsos de impostos relacionados à legislação do ano passado”, escreveu Schlossberg em um comentário para investidores na terça-feira.
Os consumidores, no entanto, reduziram os gastos em outras áreas. As vendas de vestuário permaneceram estáveis e as vendas em restaurantes aumentaram apenas 0,1%.
Isso provavelmente indica que alguns consumidores estão mudando seus hábitos de consumo devido aos altos preços da gasolina, disse Dan North, economista sênior da Allianz Trade para a América do Norte.
"Gasolina é algo que você adora odiar, porque você tem que comprar; não existe substituto", disse ele à CNN Internacional em entrevista.
No entanto, para alguns americanos – particularmente famílias de baixa renda – a gasolina representa uma parcela maior do orçamento mensal, afirmou ele.
Para essas famílias, pagar mais pela gasolina significa ter menos dinheiro para itens supérfluos, disse ele. “Vamos ao Chili's hoje à noite ou ficar em casa e fazer hambúrgueres? Bem, por enquanto, vamos ficar em casa.”
As poupanças podem esgotar-se, os reembolsos de impostos podem diminuir, os aumentos salariais podem ser ultrapassados pela inflação e as dívidas podem tornar-se insustentáveis.
A maior questão para a economia e para os consumidores que a impulsionam, disse ele, é quanto tempo vai durar a guerra?
“Se conseguirmos resolver isso, por assim dizer, nos próximos meses, os danos ao consumidor e à economia podem não ser tão graves”, disse North. “Se começarmos a prolongar isso por meses e meses, até o final do ano, então os consumidores e o resto da economia terão problemas.”



