Waack: O chefe está sempre certo
Haddad passou meses prometendo que trataria de cumprir metas de política fiscal que ele mesmo havia anunciado, metas essas que Lula desautorizou em uma só frase
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respeita dois princípios que o mantêm no cargo.
O primeiro é que o principal plano do governo é gastar, e para isso precisa arrecadar. E como a arrecadação não cobre o nível de gastos, o ministro anunciou hoje, mais uma vez, que vai se esforçar em arrecadar mais.
O segundo princípio que o ministro respeita é o de que o chefe sempre tem razão. O chefe de Haddad é Lula, e o chefe acha que o negócio é gastar, deixando em segundo plano essa coisa imposta por gananciosos do mercado, chamada equilíbrio fiscal.
Haddad passou meses prometendo que trataria de cumprir metas de política fiscal que ele mesmo havia anunciado, metas essas que Lula desautorizou em uma só frase.
Setenta e duas horas depois de ser desautorizado pelo chefe, Haddad disse que não era bem isso o que o chefe fez, que Lula continua comprometido com metas fiscais, etc., etc.
Mas Haddad se esquivou de dizer hoje se vai manter a meta que ele mesmo anunciou, que era zerar o déficit no ano que vem. Vai que ele diz uma coisa e o chefe vem com outra...


