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    Mercado eleva a 13% previsão para Selic no fim de 2022, aponta pesquisa

    Levantamento exclusivo mostra que perspectiva de alta de juros em junho e agosto ganhou força

    Perspectiva de inflação maior com a guerra na Ucrânia afeta projeções sobre a taxa Selic
    Perspectiva de inflação maior com a guerra na Ucrânia afeta projeções sobre a taxa Selic Getty Images

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Os efeitos inflacionários da guerra na Ucrâniarepercutem nas previsões sobre inflação e juros no Brasil e no mundo. Segundo uma pesquisa da corretora BGC Liquidez obtida em primeira mão pelo CNN Brasil Business, o mercado projeta agora uma taxa Selic em 13% ao fim de 2022 ante 12% na previsão anterior.

    A perspectiva de juros maiores que o previsto no início do ano não estão ligadas a uma mudança das expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira (16).

    Dos 207 entrevistados ligados ao mercado financeiro, entre economistas, gestores e investidores, 92% esperam que os juros subam em 1 ponto percentual, para 11,75% ao ano, a mesma expectativa de antes da guerra.

    Mesmo assim, o BGC destaca que houve um leve aumento na divergência entre o que os entrevistados acham que o Copom fará e o que ele deveria fazer, com 73% concordando com a alta de 1 p.p. e 14% defendendo uma elevação de 1,5 p.p.

    As mudanças esperadas pelo mercado já começam nas sinalizações e comunicações que o Copom deve fazer após a reunião.

    Para 62%, deve haver sinalização de possibilidade de manutenção do ritmo atual de alta em maio, enquanto 13% esperam que o comitê exclua a possibilidade de desacelerar e afirme que manterá o ritmo, mas 25% esperam sinalização explícita de desaceleração.

    Dentre os entrevistados, 81% esperam que o Copom não dê nenhuma sinalização sobre quando o ciclo de alta atual, iniciado em março de 2021, terminará.

    Em relação ao levantamento feito após a reunião do Copom em fevereiro, o mercado passou a esperar uma alta maior na reunião de maio, e a vislumbrar uma chance maior de elevação em junho e agosto.

    Em fevereiro, 58% esperavam uma alta de 0,5 p.p., e 28% uma manutenção da taxa. Agora, 50% projetam alta de 1 p.p., 29% de 0,75 p.p. e 17%, de 0,5 p.p.

    A mudança foi ainda maior em relação a junho, quando 87% dos entrevistados em fevereiro esperavam manutenção da taxa. Apenas 5% têm essa visão no momento, com 60% prevendo alta de 0,5 p.p, 13% projetando elevação de 0,75 p.p. e 13%, de 1 p.p.

    Apesar da maioria dos entrevistados, 53%, ainda esperar uma manutenção da taxa na reunião do Copom de agosto, o número é menor que o de fevereiro, de 96%. Com a mudança de cenário, 28% projetam alta de 0,5 p.p., e 17%, de 0,25 p.p.

    A expectativa de manutenção do patamar da taxa Selic se manteve para setembro (93%) e outubro (96%), enquanto 95% esperam manutenção em dezembro, um valor maior que o das respostas de fevereiro, de 68%.

    Se antes 23% dos entrevistados opinavam que os juros poderiam cair 0,5 p.p. em dezembro, agora apenas 2% têm essa visão.

    Com esse endurecimento das previsões, a mediana das respostas sobre a taxa Selic ao fim de 2022 subiu de 12% para 13% ao ano. Os valores mais citados foram 13% (27% dos entrevistados), 13,25% (por 26%) e 12,75% (por 14%).

    Para o ano de 2023, 28% dos entrevistados projetam a taxa Selic entre 9% e 10%, enquanto 25% esperam juros entre 10% e 11% e, para 18%, os juros devem ficar acima de 12%.

    A pesquisa do BGC Liquidez foi realizada entre as 17h da última terça-feira (15) e as 7h desta quarta-feira (16).