Ação da Hapvida dispara mais de 10% após troca na gestão
Companhia anunciou mudanças na administração que serão avaliadas pelo conselho na assembleia de acionistas no próximo dia 30

As ações da Hapvida dispararam mais de 12% nesta sexta-feira (10), um dia após a companhia anunciar mudanças em sua administração que serão avaliadas pelo conselho de administração após assembleia de acionistas no próximo dia 30 e em meio a rumores sobre venda de ativos do grupo no Sul do país.
Por volta de 12h45, as ações da empresa subiam 11,60%, a R$ 13,06, liderando as altas do Ibovespa.
Entre as nomeações estão a de Luccas Adib como presidente-executivo (já sinalizada), em substituição a Jorge Pinheiro, e a de News Story como vice-presidente de Finanças do grupo de planos de saúde, substituindo Adib, que ocupa o posto atualmente.
Também foram indicados novos executivos para as vice-presidências Jurídica, de Estratégia, M&A e Relações com Investidores, de Pessoas, de Planos Premium, de Relacionamento Médico e Sinistro, de Tecnologia e de Clientes, além de nomes para o Comitê de Finanças e Mercado de Capitais e o Comitê de Inovação, bem como para as diretorias de Engenharia, de Marketing e de Controles Internos, Riscos e Prevenção à Fraude.
As mudanças propostas integram o processo sucessório anunciado no ano passado e, conforme a Hapvida, a "evolução do modelo de gestão da companhia para sua próxima etapa".
"Embora nossa leitura inicial sobre a nova equipe seja direcionalmente positiva e reforce a credibilidade, naturalmente levará tempo e uma execução consistente para restaurar plenamente a confiança dos investidores", disseram analistas do Citi em relatório a clientes.
"Em nossa visão, os principais pontos de comprovação no curto prazo provavelmente envolverão progresso visível na estabilização de margens, geração sustentada de caixa e iniciativas de racionalização de ativos."
A assembleia no final do mês deve avaliar proposta da gestora Squadra, acionista da companhia com uma participação de 6,98%, de mudanças no conselho de administração da companhia.
Em carta recente, a Squadra destacou que, desde o IPO da empresa em 2018, "observou-se uma sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas".
Mas destacou que a Hapvida "possui ativos que, nas mãos de operadores com foco e habilidades específicas para cada segmento e região, apresentam oportunidade concreta de recuperação - e que potenciais adquirentes conseguiriam maximizar o valor de operações que hoje estão se deteriorando".
Além de mudanças no comando, investidores também estão atentos a possíveis desinvestimentos da companhia, principalmente após notícias nessa semana sobre planos da Hapvida para vender suas operações no Sul do país.
Analistas do BTG Pactual afirmaram que, embora um plano de desinvestimento mais abrangente e formal possa atuar como um importante catalisador ao melhorar a liquidez e reduzir os riscos de execução, "a visibilidade no curto prazo ainda é limitada, e os desafios de execução persistem".
O Citi tem recomendação "neutra/alto risco" para as ações da Hapvida, enquanto o BTG tem recomendação "neutra".
Mais cedo nesta semana, a companhia relatou que os acionistas controladores aumentaram a participação na empresa, alcançando agora 51,39% do capital social, quando excluídas as ações em tesouraria. No mesmo dia, relatou também aviso do BTG sobre aumento de participação.
Procurada pela Reuters, a Hapvida não respondeu de imediato.
Em carta a "clientes, acionistas, colaboradores e parceiros" no começo da semana, o atual presidente-executivo, Jorge Pinheiro, reconheceu que os resultados financeiros recentes ficaram aquém do que "somos capazes de entregar. Poderíamos ter feito mais e melhor".
As ações da Hapvida têm acumulado quedas anuais consecutivas desde 2021. Apenas no ano passado, contabilizou uma perda de quase 56%. Neste ano, mesmo com desempenho robusto recente, ainda somam uma perda de 11,40%.


