Ações da Reag desabam cerca de 17% após megaoperação na Faria Lima

Gestora foi alvo de busca e apreensão por suposto envolvimento em esquema do PCC sobre fraudes no setor de combustíveis

Juliano Passaro, Fabricio Julião, da CNN, em São Paulo
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As ações da Reag Investimentos (REAG3) caíam mais de 16,49% por volta das 12h15 (horário de Brasília) desta quinta-feira (28), negociadas a R$ 3,10. A queda dos papéis se dá após a gestora virar alvo nas operações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, que miram possível gestão fraudulenta da instituição e de outras empresas da Faria Lima.

Um documento obtido pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no âmbito da Operação Carbono Oculto, organiza os investigados em três categorias distintas.

Na primeira lista, aparecem os principais suspeitos pessoas físicas, entre eles indivíduos identificados como “Primo” e “Beto Louco”. A segunda relaciona empresas supostamente vinculadas ao crime organizado, muitas delas sob influência dos dois nomes já citados. A terceira lista reúne as chamadas “contrapartes” — pessoas físicas e fundos de investimento, entre eles o GAD III, gerido pela gestora Buriti.

Esse fundo, segundo os investigadores, realizou a venda de ativos de uma usina do grupo Virgolino de Oliveira (VO), no interior de São Paulo, a uma empresa que, diferentemente da Buriti, aparece como suspeita de manter vínculos com organizações criminosas.

De acordo com documentos relacionados ao caso, a gestora Buriti não tem responsabilidade sobre a análise do comprador, tarefa que caberia ao administrador do fundo. Tanto a Buriti quanto outras empresas da terceira lista não foram formalmente acusadas, nem foram alvo de mandados de busca e apreensão. A Buriti informou que tomou conhecimento de sua citação nos autos apenas após reportagens da imprensa.

 

As ações da Reag, que confirmou em nota ser alvo de mandados de busca e apreensão em sua sede nesta manhã, entraram em leilão logo na abertura do mercado, devido à variação negativa expressiva de quase 18%.

Em comunicado, a Reag informou que "segue colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados, e permanecerão à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários".

A Reag também destacou que a operação "trata-se de um procedimento investigativo em curso" e que vai comunicar o mercado e os acionistas dos desdobramentos.

Errata: a versão anterior do texto citava a Azumi DTVM como gestora do fundo GAD III. A informação, contudo, não procede e foi corrigida.

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