Petróleo dispara até 8% e barril ultrapassa US$ 81 em meio à guerra com Irã
Segundo analista, mercado precifica risco de interrupção da oferta global

Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta quinta-feira (5), uma vez que o Estreito de Ormuz, responsável por mais de 30% do fluxo mundial de petróleo, continua fechado com a escalada da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O Brent para maio subiu 4,93%, a US$ 85,41 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA subiu 8,51%, para US$ 81,01 por barril, o maior nível desde 2024.
A fundadora da SHS Investimentos, Adriana Ricci, disse ao CNN Money que a forte alta desta sessão acontece, especialmente, porque o mercado passou a precificar risco de interrupção da oferta global.
"Os ataques, paralisações de produção e riscos logísticos aumentaram muito o prêmio de risco geopolítico no preço. O mercado teme bloqueios ou ataques no Estreito de Ormuz, visto que a redução do fluxo e aumenta o custo do petróleo", completa Ricci.
De acordo com avaliações do sócio da KPMG, Bruno Bressa, o mercado já também precifica o combustível mais caro já visto, alta do dólar, aumento da aversão ao risco, pressão inflacionária global, e ações de petróleo subindo, com bolsas mais voláteis.
Caso o conflito continue escalando, o petróleo pode testar os US$ 90 e US$ 100 por barril, ao mesmo tempo em que pode haver um impacto maior na inflação e no custo de energia, segundo o executivo. "Com uma inflação mais pressionada, expectativa de queda dos juros tende a diminuir, já que, para controlar a inflação, os juros básicos podem precisar permanecer elevados por mais tempo, o que acaba limitando o ritmo de crescimento e desenvolvimento econômico no país", conclui Bressan.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O conflito levou à redução de tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. A rota marítima atravessa as águas do Irã e de Omã e é considerada ponto crucial para o transporte global de petróleo. Não obstante, o petróleo Brent disparou 12% na abertura do mercado futuro após o início do conflito.
No sábado, um funcionário da missão naval da União Europeia, Aspides, disse que embarcações têm recebido transmissão VHF – por radiofrequências – da Guarda Revolucionária do Irã, afirmando que "nenhum navio pode passar pelo Estreito de Ormuz".
Para evitar riscos, centenas de navios ancoraram no Golfo do Oriente Médio em meio ao conflito e empresas de navegação redirecionaram rotas. O tráfego total no Estreito diminuiu cerca de 75% até o final de sábado, em comparação com o dia anterior, de acordo com um analista sênior de risco e conformidade da empresa de dados Kpler. A região enfrenta a maior parada comercial desde a pandemia.


