Crise no GPA: o que esperar das ações do Grupo Pão de Açúcar?

Papéis da companhia devem passar por dias de muita volatilidade, de acordo com analistas ouvidos pelo CNN Money

Diana Ribeiro, da CNN Brasil
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As ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA) devem passar por dias de muita volatilidade, de acordo com analistas ouvidos pelo CNN Money. A companhia divulgou nesta terça-feira (10) que firmou acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial - a reação do mercado foi imediata, com os papéis abrindo o pregão em forte queda próximo a 9%, mas ao longo do dia as perdas foram amenizadas.

De acordo com fato relevante do varejista, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. O acordo teve autorização unânime do conselho de administração.

Para Gustavo Moreira, planejador financeiro e especialista em Investimentos, a recuperação extrajudicial do GPA não foi uma surpresa para o mercado.

"Nos últimos meses já havia vários sinais de deterioração financeira do grupo, como prejuízos relevantes, dívida elevada e dificuldades para refinanciar compromissos de curto prazo", explica.

O especialista afirma que a recuperação extrajudicial não significa o fim da operação do GPA, e sim uma ferramenta para organizar a estrutura financeira da empresa.

"A recuperação judicial acaba sendo um mecanismo para organizar a renegociação de dívidas e tentar ganhar tempo para ajustar a estrutura financeira. Não significa necessariamente o fim da operação, mas mostra que a empresa chegou a um ponto em que precisava reestruturar passivos para preservar liquidez e continuidade do negócio", explica.

O que esperar das ações do GPA?

A palavra-chave para as ações do Grupo Pão de Açúcar no curto prazo é volatilidade. Os analistas afirmam que o mercado olha para os papéis da companhia com muita cautela, porque há muita incerteza sobre o valor da empresa e sobre possíveis diluições ou renegociações com credores.

"Temos que esperar os próximos passos dessa recuperação extrajudicial e ver se o acionista controlador, que hoje é o grupo Coelho Diniz, vai fazer algum tipo de aporte financeiro, se vai vender alguma participação, tudo isso está no radar. Temos que ver como eles vão injetar liquidez na empresa para resolver o problema", explica Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

Moreira lembra que esse movimento de volatilidade já vinha acontecendo, com o papel registrando quedas expressivas e forte oscilação conforme surgiam notícias sobre dívidas e negociações com credores.

"Os próximos dias devem ser marcados por movimentos especulativos e reprecificação do risco. Investidores institucionais tendem a reduzir exposição, enquanto parte do mercado pode buscar oportunidades de curto prazo. A direção mais consistente do papel vai depender da clareza sobre o plano de reestruturação, o tamanho do passivo  renegociado e a capacidade de geração de caixa", avalia Moreira.

De acordo com Lopes, é preciso "aguardar o desenrolar dos próximos capítulos, mas é uma situação extremamente delicada para o investidor no momento".

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