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    Dólar fecha em queda em meio à tensão geopolítica e pessimismo com juros nos EUA; Ibovespa sobe

    O pessimismo com a queda de juros nos EUA e o cenário fiscal brasileiro também seguem influenciando o movimento do mercado financeiro desta sexta-feira

    Painel de cotações na B3, em São Paulo
    Painel de cotações na B3, em São Paulo 19/10/2021REUTERS/Amanda Perobelli

    Reuters

    O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (19), de volta ao patamar dos 125 mil pontos, puxado pela valorização nas ações da Vale e da Petrobras, enquanto os papéis da Petz dispararam após acerto para união com a Cobasi.

    O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, subiu 0,75%, a 125.124,3 pontos, embora tenha acumulado perda semanal de 0,65%. Na máxima do dia, chegou a 125.508,91 pontos. Na mínima, a 124.056,03 pontos.

    Enquanto isso, o dólar à vista fechou em queda firme ante o real, de quase 1%, em um dia de ajustes de preços e realização de lucros após avanços firmes em sessões anteriores, enquanto no exterior a moeda norte-americana também cedia ante boa parte das demais divisas, a despeito das preocupações com os conflitos no Oriente Médio.

    A divisa fechou o dia cotada a R$ 5,1989 na venda, em baixa de 0,99%. Na semana, porém, a moeda ainda acumulou alta de 1,52%.

    Durante a tarde, em palestra em Nova York, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também voltou a defender que a autarquia só intervenha no mercado de câmbio em caso de disfuncionalidades — e não em função da alta das cotações.

    “Se o câmbio está se valorizando porque as pessoas estão comprando dólar, deve ser porque as pessoas perceberam um risco que é maior. E você não quer que essa variável não reflita o risco”, disse.

    Campos Neto afirmou ainda que o Brasil depende do dólar mesmo depois que o governo optou por reduzir sua dívida externa e compensá-la com o aumento da dívida interna, num movimento que ocorreu a partir do início dos anos 2000.

    Segundo ele, parte dos detentores dos títulos públicos brasileiros são estrangeiros que precisam vender dólares e comprar reais para fazer operações. Com isso, movimentos na curva de juros acabam impactando a demanda por dólar.

    No início da sessão, preocupações em torno de um ataque de Israel ao Irã deram força ao dólar em todo o mundo, em meio à busca dos investidores por ativos de segurança. Às 9h09, pouco depois da abertura, o dólar à vista registrou a cotação máxima de 5,2782 reais (+0,52%).

    Durante a madrugada, relatos de explosões em uma cidade iraniana, no que fontes descreveram como um ataque israelense, geraram temores de uma escalada do conflito, levando os preços do petróleo a dispararem no mercado internacional.

    À medida que o susto com o ataque israelense diminuía, o dólar foi perdendo força em todo o mundo, incluindo no Brasil. Assim como no mercado de renda fixa, onde as taxas futuras de juros passaram por ajustes de baixa após os fortes ganhos recentes, o dólar à vista virou para o negativo e acelerou as perdas no restante da sessão.

    Profissionais do mercado afirmaram ser natural que, após os excessos recentes, o dólar passasse por um dia de ajustes. No meio da tarde, às 15h28, o dólar à vista marcou a cotação mínima de 5,1858 reais (-1,24%).

    O índice de volatilidade da B3, que mede a volatilidade de curto prazo implícita nos preços das opções do Ibovespa, subia 2,21%.

    Na agenda doméstica, sem grandes indicadores a serem divulgados, as atenções se voltaram para os compromissos do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em Washington.

    Dólar

    A queda do dólar segue sendo motivada pelos mesmos fatores que influenciaram a moeda durante a semana: a cautela dos investidores com o conflito entre Irã e Israel, o pessimismo com a política econômica dos EUA e a preocupação com o cenário fiscal no Brasil.

    Na véspera, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, e o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disseram que o banco central dos EUA não está com pressa para cortar os juros, ecoando fala do chair do Fed, Jerome Powell, do início da semana.

    Na terça-feira, Powell disse que o banco central dos Estados Unidos pode precisar manter a taxa básica de juros mais alta por mais tempo do que se pensava anteriormente, devido ao que ele chamou de “falta de mais progresso” este ano em direção à meta de inflação de 2%.

    Essa fala foi um dos principais impulsionadores do dólar frente ao real nesta semana, embora também tenha pesado a decisão do governo brasileiro de afrouxar a meta de resultado primário para 2025 a um déficit zero, ante superávit de 0,50% do PIB buscado antes.

    Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 5,2508 reais na venda, em leve alta de 0,12%. No entanto, a moeda caminha para um ganho de 2,53% frente ao encerramento da última sexta-feira, o que marcaria um quarto ganho semanal consecutivo e o mais intenso desde o início de outubro de 2023.