Bolsa inverte sinal e fecha em queda com pressão do petróleo; dólar sobe
Investidores acompanham conflito entre Estados Unidos e Irã, enquanto petróleo cai na expectativa de um desfecho diplomático
O Ibovespa fechou em leve queda nesta terça-feira (4), após chegar a superar os 180 mil pontos ao longo do pregão. O principal índice da bolsa brasileira foi pressionado pelas ações do Itaú Unibanco, às vésperas da divulgação do balanço do segundo trimestre, e da Petrobras, que acompanharam a nova queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
Ao fim do dia, o principal índice do mercado brasileiro recuou 0,15%, aos 177.732,99 pontos. Durante a sessão, a bolsa atingiu a máxima de 180.679,47 pontos e a mínima de 177.580,77 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta firme frente ao real, impulsionado pelo temor de novas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil e pela expectativa de novos cortes na taxa básica de juros, a Selic.
A valorização da moeda americana também foi favorecida pela queda dos preços do petróleo Brent no mercado internacional, fator que tende a pressionar moedas de países exportadores da commodity, como o Brasil.
Ao fim do pregão, o dólar à vista avançou 0,84%, cotado a R$ 5,1304. Apesar da alta no dia, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 6,53% no ano.
As declarações corroboravam novo alívio nos preços do petróleo, com o barril sob o contrato Brent em queda de 4,7%, a US$79,83.
O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, avançava 0,59%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA cedia a 4,6349%, com dados econômicos também sob os holofotes.
No Brasil, o IBGE reportou queda de 1,8% na produção industrial em junho em relação a maio e alta de 1,7% ante o mesmo período do ano passado, enquanto projeções de economistas compiladas pela Reuters apontavam retração de 0,8% no mês e avanço de 3,0% na base anual.
Os números referendavam o declínio das taxas dos contratos de DI, o que reverberava na bolsa paulista, principalmente em papéis sensíveis a juros, enquanto investidores aguardam também a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sobre a Selic no final da quarta-feira, com previsão majoritária de corte de 0,25 ponto percentual, para 14%.
De acordo com o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, foco estará no comunicado do Copom. "A expectativa é de um texto neutro, mantendo total dependência dos próximos indicadores, sem antecipar decisões para setembro."
Na cena corporativa, resultados de empresas como BB Seguridade, Marcopolo e Isa Energia ocupavam as atenções, enquanto a agenda de balanços do final do dia inclui os números de C&A, Gerdau, Iguatemi, Itaú Unibanco, Prio e RD Saúde.
Destaques do pregão
Vale avançava 2,89%, acompanhando o movimento de mineradoras no exterior, apesar de nova queda dos futuros do minério de ferro na China.
No setor, CSN era o destaque positivo, com alta de 6,65%, após cinco quedas seguidas, período em que acumulou uma perda de 21%. Investidores seguem acompanhando as negociações envolvendo a unidade de cimentos do grupo.
Petrobras cedia 2,49%, em novo dia negativo no setor diante do declínio dos preços do petróleo no exterior. No setor, Brava perdia 6,09% tendo no radar também o leilão da oferta pública (OPA) a ser realizada pela colombiana Ecopetrol para aquisição do controle da petrolífera na quarta-feira.
Itaú Unibanco avançava 0,44%, tendo no radar resultado do segundo trimestre após o fechamento do mercado. Previsões de analistas compiladas pela Reuters apontam lucro líquido R$12,5 bilhões para o período de abril a junho, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 24,14%. O índice do setor financeiro subia 0,93%.
BB Seguridade valorizava-se 1,5%, após balanço do segundo trimestre divulgado na noite da véspera, com lucro líquido ajustado de R$2,15 bilhões, queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Marcopolo caía 7,82% na esteira da repercussão do resultado do segundo trimestre apresentado na segunda-feira, após o fechamento do mercado, que mostrou lucro líquido de R$271 milhões, uma queda de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Isa Energia recuava 0,67%, um dia após reportar lucro líquido de R$174 milhões no segundo trimestre, 32% abaixo do apurado um ano antes.
À Reuters, a diretora financeira da Isa Energia, Silvia Wada, afirmou que a companhia decidiu não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre deste ano, mas que continua a avaliar o certame voltado à contratação de baterias.


