IGP-M sobe e volta ao radar dos fundos imobiliários
Alta em março reacende atenção, mas impacto ainda segue limitado

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) voltou a subir em março, com alta de 0,52%, após recuar 0,73% em fevereiro, segundo dados da FGV Ibre.
O avanço reflete, em parte, a pressão de custos no atacado, influenciada pela alta de commodities e derivados de petróleo em meio a tensões no Oriente Médio.
Apesar da alta no mês, o índice ainda acumula deflação de 1,83% em 12 meses, o que indica um cenário misto para investidores.
Conhecido como “inflação do aluguel”, o IGP-M é usado como referência em contratos imobiliários, mas hoje tem impacto mais restrito sobre os fundos imobiliários.
Segundo Marcos Baroni, head de FIIs da Suno Research, o indicador perdeu relevância nos últimos anos. “Hoje, a maior parte dos fundos, principalmente os de crédito, é indexada ao IPCA, que dialoga melhor com os contratos”, explica.
Ainda assim, há efeitos pontuais em fundos com contratos atrelados ao índice. Para Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o principal canal de impacto está no reajuste dos aluguéis.
“Quando o IGP-M sobe, os contratos que usam esse índice são corrigidos, o que pode aumentar a receita dos fundos. Isso melhora o fluxo de caixa e, potencialmente, os dividendos”, afirma.
Esse efeito, no entanto, não é imediato. “Existe uma defasagem, porque depende do aniversário dos contratos”, acrescenta.
No curto prazo, segmentos como lajes corporativas, galpões logísticos e alguns fundos de papel com exposição a CRIs indexados ao IGP-M tendem a sentir mais esse movimento.
Segundo Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, o cenário traz ganhos no curto prazo, mas exige uma análise mais cuidadosa por parte do investidor.
“O índice é mais volátil e pode subir de forma mais intensa, pressionando os inquilinos. Isso pode aumentar o risco de inadimplência, vacância e até levar à renegociação de contratos”.
De acordo com ele, o investidor precisa olhar além do ganho imediato e considerar a qualidade dos ativos.
“Fundos com contratos mais equilibrados capturam melhor esse movimento sem gerar problemas no futuro”, conclui.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


